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Artistas no Brasil exaltam Jimmy Cliff, citam a influência no reggae, lembram São Luís, e mostram como a morte de Jimmy Cliff reacende memórias da afrodiaspora
O mundo da música acordou de luto com a morte de Jimmy Cliff, aos 81 anos. O cantor jamaicano, um dos pilares do reggae, marcou gerações e tocou corações brasileiros.
Entre os que lamentam, nomes da música nacional destacam a força de Jimmy Cliff. A cena do Maranhão, que abraçou o ritmo, enxerga uma perda sentida em cada salão.
As homenagens lembram o legado, a ligação com São Luís, e a presença de um artista que se fez casa no Brasil, conforme informações do texto-base fornecido na pauta.
Gilberto Gil e Chico César destacam a influência no Brasil
Ícone da música brasileira, Gilberto Gil citou o impacto direto de Jimmy Cliff em sua obra e no reggae moderno, reforçando a relevância do artista para o mundo.
Gil escreveu, “Jimmy Cliff influenciou e seguirá influenciando minha música. Obrigado por tanto”. Em outra lembrança, cravou, “Bob Marley estoura nos rádios depois do Cliff, inclusive pela mesma gravadora”.
Chico César também se emocionou ao recordar o papel histórico e político de Jimmy Cliff na música afrodiaspórica, sublinhando a dimensão dessa perda.
“Hoje nós perdemos um mestre, um mestre da música afrodiaspórica, Jimmy Cliff.” Para Chico, a revolução do reggae deu voz aos pretos das Américas e se tornou sucesso global.
O paraibano ainda recordou encontros pelo mundo. “Eu sou muito admirador. Tive a oportunidade de discutir com Jimmy Cliff na Austrália, na Nova Zelândia, depois em Singapura, participando de festivais.”
Chico descreveu o artista, “Uma criatura muito doce, muito educada, que amava o Brasil. Jimmy, eterno para sempre. Irmão, vai com Deus.” A morte de Jimmy Cliff moveu lembranças e gratidão.
No Maranhão, o reggae chora e celebra seu patrono afetivo
Em São Luís, a notícia repercutiu como perda íntima. O jornalista e DJ Ademar Danilo, do Museu do Reggae, resumiu o sentimento coletivo com um lamento direto.
“O dia amanheceu triste”, disse Ademar, ao destacar a centralidade de Jimmy Cliff na formação da identidade regueira e da própria vida cultural do estado.
Ele relembrou a chegada precoce do som de Jimmy Cliff aos bailes, muito antes de o reggae explodir no resto do Brasil, formando público fiel nas rádios e salões.
“Jimmy Cliff é um dos artistas pioneiros a serem amados aqui no Maranhão. Muito antes de Bob Marley, muito antes de qualquer um. As músicas dele já frequentavam os salões de dança no início da década de 1970.”
Para a cena local, a morte de Jimmy Cliff é assunto dominante. “Hoje em São Luís só há dois assuntos no meio do reggae: o festival que aconteceu ontem, a Ilha do Reggae, e a morte de Jimmy Cliff. Dormimos alegres e acordamos tristes.”
Follow My Mind, 1975, e 50 anos de pistas cheias
O álbum Follow My Mind, de 1975, é capítulo especial no Maranhão. Segundo Ademar, o disco embalou décadas e moldou repertórios dos principais clubes de reggae.
“Foi um estouro aqui. De 1975 a 2025, são 50 anos, e até hoje várias músicas desse disco continuam sucesso em São Luís. Tocam e as pessoas correm para dançar.”
Na capital, a devoção a Jimmy Cliff foi vista em salões lotados, efeitos de luzes e passos sincronizados, um ritual afetivo que atravessou gerações e uniu bairros.
Esse vínculo musical ajudou a construir uma memória coletiva, da vitrola ao sound system, tornando a morte de Jimmy Cliff um luto que também celebra a vida.
Museu do Reggae, Jamaica brasileira e um legado global
Ademar recorda a presença do cantor em clubes de periferia e momentos simples. “Ele se sentiu verdadeiramente em casa aqui. Passou dias indo a clubes de reggae na periferia, deitando em redes, conversando, comendo manga colhida do pé.”
O DJ credita a Jimmy Cliff a popularização do apelido que virou orgulho local. “Foi ele o responsável por propagar o apelido de São Luís como ‘Jamaica brasileira’.”
O encontro no Institute of Jamaica ficou marcado. “Eu estava lá para informar aos jamaicanos que o Maranhão tinha um museu dedicado ao ritmo criado por eles. E Jimmy Cliff apareceu.”
“Lembrou as conversas que tivemos aqui. Ele tinha sido agraciado com o título de doutor honoris causa dias antes. Era um momento de grandeza.” O respeito ao ídolo também virou memória institucional.
Autor de clássicos como Many Rivers to Cross, The Harder They Come e You Can Get It If You Really Want, Jimmy Cliff levou o reggae ao mundo e inspirou o Brasil.
Para Gilberto Gil e Chico César, sua obra segue pulsando. Para o Maranhão, seu nome ecoa em cada pista. A morte de Jimmy Cliff dói, mas o legado permanece vivo.