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quarta-feira, junho 3, 2026

Macaé Evaristo pede disputa feminina por espaço em todos os setores, na véspera da Marcha das Mulheres Negras, e critica descumprimento de cotas

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Em Brasília, ministra dos Direitos Humanos defende protagonismo de mulheres, com foco nas negras, em cargos eletivos, no serviço público e no Judiciário

Às vésperas da 2ª Marcha das Mulheres Negras, que pode reunir 1 milhão de pessoas em Brasília, a ministra Macaé Evaristo reforçou que mulheres devem disputar espaço em todos os setores da sociedade.

Ela defendeu criar condições reais de protagonismo e romper papéis restritos, sobretudo para mulheres negras, ainda presas a padrões que refletem a matriz histórica do país.

As falas ocorreram no seminário Democracia, Substantivo Feminino, do TSE, com debate sobre cotas e financiamento público de campanha, conforme registros do evento e dados do Observatório Nacional da Mulher na Política da Câmara.

Participação política e cotas eleitorais

No campo da política, Macaé Evaristo pediu presença ampliada de mulheres em espaços de poder e decisão, com suporte do financiamento público de campanha e medidas que reduzam barreiras.

A legislação eleitoral exige que partidos reservem ao menos 30% das candidaturas para mulheres, política criada para tornar a disputa mais equilibrada e corrigir desigualdades históricas.

Levantamento do Observatório Nacional da Mulher na Política aponta descumprimento da cota em 700 dos 5.569 municípios, no primeiro turno de 6 de outubro de 2024, o que expõe falhas de cumprimento.

A ministra cobrou resposta dos partidos e atuação firme do Tribunal Superior Eleitoral, com fiscalização e campanhas que informem eleitores e candidatas sobre regras e direitos.

Trajetórias, estereótipos e a ideia de carreira meteórica

“Isso precisa ser desconstruído no imaginário na sociedade brasileira e desconstruído é, efetivamente, a gente começar a disputar espaço em todos os lugares, seja na associação de moradores, na Câmara Federal, no Senado”, disse Macaé Evaristo.

Ao rebater rótulos, a ministra relatou ter ouvido que teve carreira meteórica ao ser convidada para o cargo, e então apresentou seu percurso de décadas no setor público e na educação.

“Uma mulher com 60 anos chegar a ser ministra é uma carreira meteórica? É isso que se pensa para a trajetória das mulheres nesse país?” afirmou, ao comparar com a ascensão masculina na política.

Ela lembrou ter sido professora por mais de 20 anos, diretora, assessora pedagógica, coordenadora de programas, formadora de docentes, vereadora e depois deputada, antes de assumir a pasta.

Marcha das Mulheres Negras e enfrentamento à violência

A 2ª Marcha das Mulheres Negras, marcada para Brasília, foi descrita como mobilização por dignidade e bem viver, por um projeto de sociedade sem assassinatos de mulheres.

“Que as mulheres não tenham que dormir com o inimigo dentro de sua casa”, disse Macaé Evaristo, ao cobrar políticas que protejam vítimas e responsabilizem agressores com celeridade.

Na avaliação da ministra, mulheres são 53% da população, por isso devem alcançar representação similar em assembleias legislativas e no Congresso Nacional.

“Temos que lutar para ter cotas no serviço público, em todas as instituições, no Judiciário”, afirmou, ao defender metas e mecanismos de acesso baseados em equidade.

Sufragistas negras e legado de Almerinda Gama

A jornalista e pesquisadora Cibele Tenório destacou o papel de lideranças negras na conquista da cidadania política, ao resgatar a trajetória de Almerinda Gama.

“Faz pouco mais de 90 anos que as mulheres podem votar e serem votadas no Brasil.”

“Devemos isso à articulação política das sufragistas, entre elas Almerinda Gama, liderança negra que foi parte fundamental na conquista do voto feminino no país.”

“Quando afirmamos que nossos passos vêm de longe, estamos falando de trajetórias como a dela.”

Cibele é autora do livro Almerinda Gama: a sufragista negra, que relata sua atuação na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, nos anos 1920 e 1930.

Ao longo do evento do TSE, as falas reforçaram que ampliar a presença feminina, com foco nas mulheres negras, exige cotas, financiamento público de campanha e compromisso institucional contínuo.

Para Macaé Evaristo, disputar espaço em todos os lugares é passo central para desconstruir estereótipos e transformar poder, política e justiça com participação plural.

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