| Não fique refém dos algoritmos, nos siga no Telegram e fique atualizado com as últimas notícias. |
Consulta livre, prévia e informada vai pautar decisão sobre a hidrovia no Tapajós, com mesa de diálogo em Brasília e novas demarcações anunciadas para 2025
O governo federal informou que vai ouvir os povos do Rio Tapajós sobre a hidrovia no Tapajós, após o bloqueio de acesso à COP30 realizado por indígenas Munduruku, na sexta, em Belém.
Segundo o ministro Guilherme Boulos, a consulta será livre, prévia e informada, e uma mesa de diálogo será criada para reunir comunidades da região antes de qualquer iniciativa no rio.
Ele disse ter conversado com Luiz Inácio Lula da Silva e Rui Costa, e que haverá mais demarcações até 2025, reforçando compromissos com a Amazônia, conforme anúncio feito no encerramento da Cúpula dos Povos, neste domingo, 16.
Governo detalha a consulta e promete demarcações
Boulos afirmou o compromisso de ouvir todos os povos do Tapajós antes de avançar com a hidrovia no Tapajós. “Nós temos o compromisso, e o governo federal fará, em relação ao Tapajós, uma consulta livre, prévia e informada a todos os povos da região, antes de implementar qualquer projeto no rio. E nós, da Secretaria-Geral da Presidência da República, criaremos uma mesa de diálogo com todos esses povos, para recebê-los em Brasília e construir a solução”, disse.
O ministro também prometeu acelerar a demarcação de terras indígenas. “Haverá mais demarcações, e esse é o compromisso do presidente Lula, de que, até o ano que vem, mais demarcações serão feitas, garantindo o compromisso do nosso governo com a Amazônia, com os nossos povos e com os movimentos sociais”, disse.
Protesto dos Munduruku na COP30 e pauta contra decreto
O ato dos Munduruku bloqueou a entrada da Zona Azul, área de negociações da COP30, com apoio de ativistas e povos de outros países. O grupo cobrou reunião com Lula e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê privatização de empreendimentos do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajó.
Os indígenas também criticam a Ferrogrão, ferrovia que liga Mato Grosso ao Pará, por impactos no modo de vida e pressão sobre terras. Após o protesto, foram recebidos pelo presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago.
A presença de manifestações foi defendida por Boulos. “Você sabe, Marina, que veio gente da imprensa falar que está tendo muita manifestação na COP. Se tem manifestação na COP, é sinal que o povo está participando da COP. E é isso que a gente quer”, disse, ao lado de Marina Silva e Sônia Guajajara.
Carta da Cúpula dos Povos critica falsas soluções
A carta final da Cúpula dos Povos rejeita “falsas soluções” para a crise climática e aponta o modo de produção capitalista como causa principal, destacando que periferias sofrem mais com eventos extremos e racismo ambiental.
O texto responsabiliza empresas transnacionais da mineração, energia, armas, agronegócio e Big Techs pela catástrofe climática, e pede demarcação de terras, reforma agrária, agroecologia, fim dos fósseis e mais participação dos povos.
Próximos passos no Tapajós e mobilização social
A mesa de diálogo deverá centralizar a escuta sobre a hidrovia no Tapajós, buscando conciliar logística e direitos dos povos originários, quilombolas e ribeirinhos que vivem na bacia do Tapajós.
Segundo os organizadores, a Cúpula reuniu cerca de 70 mil pessoas, com a participação de 1,3 mil organizações, e terminou com um banquetaço na Praça da República, com comida das cozinhas comunitárias e celebração aberta ao público.