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Presidente da COP30 recebeu a carta final com críticas a falsas soluções e disse que registrará as demandas na abertura do segmento de alto nível, já nesta semana
Em Belém, o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, anunciou que levará os pleitos da Cúpula dos Povos às reuniões de alto nível que acontecem nesta semana, reforçando o diálogo com a sociedade.
O compromisso foi feito no encerramento do evento, após ele receber a carta final do comitê político, com cobranças por mais participação popular e ações práticas contra a emergência climática e o racismo ambiental.
O embaixador reconheceu o peso de negociações por consenso entre 195 países, e destacou a voz dos movimentos em Belém. As informações foram divulgadas com base em conteúdo da Agência Brasil.
O que traz a carta final da Cúpula dos Povos
A carta final da Cúpula dos Povos critica o que chama de falsas soluções para a crise do clima, e defende caminhos construídos nos territórios, com saberes tradicionais e cooperação entre povos, fortalecendo o internacionalismo popular.
“Nossa visão de mundo está orientada pelo internacionalismo popular, com intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade, de lutas e de cooperação entre nossos povos”.
O documento aponta o modo de produção capitalista como causa central do agravamento climático, e diz que periferias e comunidades tradicionais são as mais afetadas por eventos extremos e pelo racismo ambiental.
O texto cita empresas transnacionais de mineração, energia, armas, agronegócio e Big Techs como principais responsáveis pela catástrofe climática, pedindo mudança de rumo e controle público sobre impactos.
A carta pede demarcação de terras indígenas e de outros povos, reforma agrária, fomento à agroecologia, fim do uso de combustíveis fósseis e financiamento público para uma transição justa.
Defende taxação das corporações, do agronegócio e dos mais ricos, além do fim das guerras, e reforça maior participação dos povos nas governanças climáticas em fóruns como a COP30.
“As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções”.
“Cobramos que haja participação e protagonismo dos povos na construção de soluções climáticas, reconhecendo os saberes ancestrais. A multidiversidade de culturas e de cosmovisões, carrega sabedoria e conhecimentos ancestrais que os Estados devem reconhecer como referências para soluções às múltiplas crises que assolam a humanidade e a Mãe Natureza.
Cartas das Infâncias, medo pelo futuro e esperança
Além da carta principal, Corrêa do Lago recebeu a Carta das Infâncias, escrita por cerca de 700 crianças e adolescentes que participaram das atividades na Cúpula dos Povos em Belém.
“Para que as próximas crianças e adolescentes não tenham medo do calor, da fumaça, da falta de água, da extinção dos animais. Para que elas possam desenhar florestas vivas e não florestas morrendo”.
“Somos muitos e muitas crianças e adolescentes, cada uma com um jeito, um desenho, uma fala, um sonho. Mas todas com o mesmo ideal, por dentro do nosso planeta, agora, queremos continuar vivos e vivas, crescer no mundo bonito, no mundo que ainda respire, com esperança e sem medo”.
As mensagens pedem ações práticas e urgentes, reforçam a proteção da Amazônia e dialogam com os objetivos da COP30, que discute transição justa, equidade e justiça climática.
70 mil pessoas nas ruas e nos rios de Belém
A Cúpula dos Povos reuniu cerca de 70 mil pessoas de movimentos sociais, povos originários, quilombolas, ribeirinhos, juventudes, mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+, além de trabalhadores urbanos e do campo.
Segundo a organização, aproximadamente 1,3 mil organizações e movimentos participaram do encontro, com críticas à falta de ambição de países ricos e ao risco de descumprimento da meta de 1,5°C do Acordo de Paris.
Na abertura, uma grande barqueata ocupou a orla de Belém, com centenas de embarcações na Baía do Guajará, em defesa da Amazônia e dos povos tradicionais, reforçando o tom de mobilização popular.
A Marcha Mundial pelo Clima levou cerca de 70 mil pessoas às ruas, com a diversidade cultural amazônica. O encerramento teve banquetaço na Praça da República, com comida e celebração abertas ao público.
O que esperar da semana de alto nível da COP30
Ao receber as cartas, o presidente da COP30 disse que fará o registro das demandas no início das negociações de alto nível. “Por isso, eu agradeço a vocês por esse trabalho, que eu registrarei, na abertura da reunião de alto nível, que começa, amanhã, na COP.
Fico muito, muito feliz de poder presidir essa COP com esse apoio que eu estou sentindo aqui hoje”, afirmou, indicando que a pauta social e climática deve pautar os diálogos entre delegações.
Ele destacou a complexidade do processo multilateral. “Vocês sabem que isso [a COP] é basicamente uma grande negociação dentro das Nações Unidas, com 195 países que têm que estar de acordo com tudo, porque é tudo por consenso. Então, é uma negociação superdifícil.
Mas saber que a sociedade civil mundial tem voz em Belém é absolutamente sensacional”, disse, reforçando que os pleitos da Cúpula dos Povos estarão no centro das discussões políticas da COP30 nesta semana.