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Ufal lança novas variedades de cana-de-açúcar para impulsionar setor sucroenergético
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) se destaca no cenário nacional com a participação no lançamento de novas variedades de cana-de-açúcar. Por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA), a instituição apresentará cultivares desenvolvidas com foco em aumentar a produtividade e fortalecer a cadeia produtiva do setor sucroenergético brasileiro.
O evento de Liberação Regional de Variedades RB de Cana-de-açúcar ocorre no dia 8 de julho, integrando a programação do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas, em Maceió. A iniciativa reúne pesquisadores da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), que apresentarão os resultados de pesquisas aplicadas em diferentes regiões do país.
A liberação regional segue a recente Liberação Nacional de 18 novas variedades RB, realizada em São Paulo em outubro de 2025. Deste total, três cultivares contam com a participação direta da Ufal, demonstrando a competência e a relevância da universidade no desenvolvimento de novas tecnologias para o agronegócio. As variedades RB já representam 56% da área de cultivo de cana no Brasil. Conforme informações divulgadas pela Ridesa.
Novas cultivares com DNA da Ufal
As três novas variedades com participação da Ufal a serem destacadas são a RB991532, a RB0764 e a RB07814. Estas cultivares foram desenvolvidas e selecionadas com o apoio de empresas e entidades do setor sucroenergético, evidenciando a forte integração entre a academia e o mercado.
A variedade RB991532 se caracteriza pela alta produtividade agrícola, facilidade de colheita e longa vida útil, além de excelente sanidade. Possui hábito de crescimento ereto, bom perfilhamento e resistência a doenças como ferrugens e carvão, sendo recomendada para ambientes intermediários e colheita em meio de safra.
Por sua vez, a RB0764 se distingue pela alta produtividade, boa colheitabilidade e resistência às ferrugens marrom e alaranjada. Apresenta bom desenvolvimento em cana-planta e cana-soca, sendo indicada tanto para áreas de sequeiro quanto irrigadas, especialmente em solos de melhor qualidade.
Já a RB07814 oferece precocidade, alto teor de açúcar e um longo período de industrialização com baixa cor do caldo. Promete alta produtividade agrícola e boa estabilidade, com resistência a doenças importantes como ferrugem marrom e carvão, podendo ser utilizada em diversos sistemas de cultivo.
Fortalecendo a agroindústria alagoana e nacional
O professor Geraldo Veríssimo, um dos fundadores da Ridesa, ressaltou o orgulho da instituição em fazer parte desse processo. “Isso demonstra a nossa grande competência e responsabilidade, contribuindo significativamente na elevação dos rendimentos agroindustriais das empresas, bem como na formação contínua de recursos humanos para o setor sucroenergético brasileiro”, afirmou.
O censo varietal de 2026 em Alagoas já indica um predomínio superior a 90% de variedades RB na área de cultivo. Com o lançamento dessas novas cultivares, espera-se que esse índice seja ainda mais superado, impulsionado pelas características superiores dos novos materiais genéticos liberados pela Ufal.
Integração universidade-setor produtivo
A realização da liberação regional dentro do Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar reforça a colaboração entre universidade, pesquisadores, usinas e produtores. O objetivo é transformar resultados de pesquisa em aplicações práticas, levando o conhecimento gerado nas universidades diretamente para o campo e auxiliando na tomada de decisões mais eficientes no manejo dos canaviais.
A Ridesa opera no Brasil com um modelo de cooperação científica e tecnológica entre dez universidades federais, incluindo a Ufal. Este intercâmbio otimiza o desenvolvimento de novas variedades, conectando a pesquisa acadêmica com as demandas do setor produtivo e garantindo a validação e adoção das inovações por empresas privadas.
Ciência pública a serviço do campo
A Ufal, desde 1990, comanda o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar no Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca). A instituição gerencia um banco de germoplasma crucial na Serra do Ouro, em Murici, onde ocorrem anualmente hibridações e a produção de sementes para as pesquisas da Ridesa. Essa estrutura abrange diversas subestações em Alagoas e na Bahia, permitindo a avaliação das novas variedades em diferentes condições ambientais.
A tradição da Ufal no melhoramento genético já resultou em cultivares de grande impacto regional, como a RB92579, que chegou a ocupar mais de 40% da área canavieira no Nordeste. A expectativa é que a nova geração de variedades continue a impulsionar o Brasil na vanguarda tecnológica do setor sucroenergético mundial.
Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.