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Pesquisa mostra que a Embrapa, por meio de unidades regionais, investimento em P&D e foco nas culturas locais, conseguiu ampliar produtividade e difundir tecnologia em todo o país
Um estudo recente conduzido por pesquisadores de instituições americanas conclui que a atuação da Embrapa foi determinante para a transformação da agricultura brasileira nas últimas décadas.
Os autores quantificam ganhos macroeconômicos importantes, citam aumento de produtividade e um elevado custo-benefício do investimento público em pesquisa.
Os dados e análises são apresentados em artigo publicado no repositório Social Science Research Network, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo com base no paper no SSRN
Descentralização e foco nas necessidades locais
Os autores destacam que a estrutura da Embrapa, com unidades espalhadas pelo país, foi decisiva, atualmente com 43 unidades em diferentes regiões.
Segundo o estudo, a natureza descentralizada da Embrapa explica mais da metade dos ganhos de produtividade ao redirecionar a pesquisa para problemas locais.
Os pesquisadores escrevem, em trecho citado pela reportagem, “Descobrimos que um mecanismo importante para o efeito macroeconômico da Embrapa é o redirecionamento da inovação para as necessidades locais”, o que, na avaliação deles, ajuda a escapar da ‘armadilha do desajuste tecnológico’.
Investimento, capital humano e resultados econômicos
A Embrapa foi criada em 1973 para desenvolver ciência e tecnologia adequada às condições brasileiras, e a alocação inicial de recursos foi crucial para o modelo.
Em relatório citado pelos autores, os recursos subiram de US$ 23,5 milhões em 1974 para US$ 190,7 milhões em 1987, e o corpo técnico evoluiu de cerca de 15% de pós-graduados em 1974 para cerca de 85% em 1987.
O artigo destaca ainda a eficiência fiscal do investimento, apontando que Para cada R$ 1 investido, Embrapa retorna R$ 17 em benefícios à sociedade, e o Balanço Social 2024 da Embrapa mostra lucro social de R$ 107,24 bilhões e retorno de R$ 25,37 para cada R$ 1 investido, números que reforçam o impacto econômico da pesquisa pública.
Adoção de tecnologias e impulso à produtividade
Os autores atribuem ao investimento em P&D o aumento de 110% na produtividade agrícola nacional, resultado da difusão de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa.
Entre os avanços, são citados integração lavoura-pecuária-floresta, inovações em plantio direto e variedades de sementes adaptadas a biomas brasileiros, que aumentaram o uso de insumos como fertilizantes e sementes melhoradas.
O estudo mostra também que a similaridade ecológica entre municípios e os laboratórios da Embrapa foi um forte preditor da difusão de novas variedades, e que a instituição sustentou pesquisa produtiva mesmo em regiões remotas.
Pressões orçamentárias e desafios futuros
Apesar dos resultados, a Embrapa enfrenta limitações orçamentárias recentes, com repasses da União para pesquisas caindo 80% em dez anos, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário.
Para 2025, a previsão inicial do Orçamento foi de R$ 317,3 milhões, dos quais R$ 278,4 milhões foram empenhados e R$ 207 milhões liquidados, e o projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026 prevê R$ 270 milhões para pesquisas da instituição.
Os autores do paper, Ariel Akerman, Jacob Moscona, Heitor S. Pellegrina e Karthik Sastry, apontam que manter o investimento público em P&D e a capacidade descentralizada é essencial para continuar a difusão de tecnologias adaptadas ao Brasil e preservar os ganhos de produtividade alcançados.