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quarta-feira, junho 3, 2026

Alerta Vermelho! Consumo de Ultraprocessados Dispara no Brasil: Risco à Saúde e Custos Bilionários Revelados

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Ultraprocessados: Um Inimigo Oculto na Mesa dos Brasileiros

O debate sobre os riscos à saúde associados ao consumo de alimentos ultraprocessados ganha força com a exibição do episódio “Ultraprocessados na Mesa dos Brasileiros” do programa Caminhos da Reportagem, na TV Brasil. A matéria detalha como o consumo desses produtos, que antes representava 10% das calorias ingeridas, saltou para 23% no Brasil desde a década de 1980, um reflexo de um sistema alimentar que incentiva escolhas menos saudáveis.

A preocupação com o aumento da obesidade, sobrepeso e doenças crônicas impulsionou a criação do conceito de ultraprocessados e da classificação NOVA pela Universidade de São Paulo (USP). Essa ferramenta, desenvolvida pelo pesquisador Carlos Monteiro, do Nupens, organiza os alimentos em quatro categorias, desde os in natura até os ultraprocessados, como bolachas recheadas e refrigerantes.

A mudança no sistema alimentar é apontada como a principal causa para o aumento do consumo de ultraprocessados, e não uma falta de “força de vontade” individual, como sugeriam explicações anteriores. Conforme divulgou o programa Caminhos da Reportagem, o sistema atual estimula o consumo quase compulsório desses produtos, com graves consequências sociais e para a saúde.

O Conceito de Ultraprocessados e a Classificação NOVA

A classificação NOVA, criada em 2009, é fundamental para entender a diferença entre os tipos de alimentos. Ela divide os produtos em: alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, arroz, feijão), ingredientes culinários processados (azeite, sal, manteiga), alimentos processados (milho em lata, sardinha em lata, pão de padaria) e, finalmente, os alimentos e bebidas ultraprocessados (biscoitos recheados, achocolatados, refrigerantes).

Impacto na Saúde e na Economia Brasileira

Um levantamento da Fiocruz Brasília e do Nupens revela que o consumo de ultraprocessados gera um custo de mais de R$ 10 bilhões para a saúde e a economia do Brasil anualmente. Eduardo Nilson, pesquisador da Fiocruz Brasília, destaca que até 57 mil mortes por ano poderiam ser evitadas com a eliminação desses produtos da dieta.

Cientistas e organizações da sociedade civil alertam para a necessidade de uma política fiscal mais agressiva contra os ultraprocessados. Apesar da última reforma tributária ter sido publicada em dezembro de 2023, o imposto seletivo não incluiu a maioria dos ultraprocessados, com exceção das bebidas açucaradas, que receberam uma taxa extra.

Estratégias para Frear o Consumo e Proteger Gerações Futuras

Kelly Santos, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, explica que o novo desenho fiscal prevê alíquotas zero para alimentos saudáveis e alíquotas maiores para os não saudáveis. Para as bebidas açucaradas, uma lei complementar definirá a alíquota que tornará o refrigerante mais caro, seguindo exemplos de países como México e Chile.

Além da tributação, estratégias de educação e regulação da publicidade são cruciais. Paula Johns, diretora executiva da ACT Promoção da Saúde, compara a necessidade de limites na publicidade de ultraprocessados com o sucesso obtido com o cigarro. Ela ressalta a importância de marcadores claros para identificar esses produtos, que muitas vezes são promovidos com alegações enganosas.

Luciana Phebo, chefe da área de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, enfatiza o impacto devastador dos ultraprocessados no desenvolvimento infantil. “Ser desde cedo afetado por ultraprocessado vai levar esse corpo a muitas outras doenças crônicas”, alerta. O caso de Luan Bernardo Marques Gama, um adolescente de 13 anos diagnosticado com pré-diabetes devido ao alto consumo de ultraprocessados, ilustra a gravidade do problema.

A mãe de Luan, Cecília Marques, relata a mudança drástica na alimentação familiar após o diagnóstico do filho, contando com o apoio da nutricionista do Hospital da Criança. A história de Luan, que reverteu o quadro em um ano com acompanhamento nutricional e incentivo à prática de esportes, demonstra que a mudança de hábitos é possível e essencial para um futuro mais saudável.

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