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quarta-feira, junho 3, 2026

Aluna da Ejai Diversidade em Maceió Transforma Vida: “Hoje, eu não me sinto mais invisível”, celebra China

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Mulher que enfrentou ruas e drogas se redescobre na educação: “Foi a educação que me tirou de um mundo cruel”, afirma China

Uma história de superação e esperança ecoa nas salas de aula da Escola Técnica de Artes (ETA), em Maceió. Cristiana Garcia de França, conhecida como China, de 46 anos, encontrou na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) da Prefeitura de Maceió um novo caminho para reconstruir sua vida. Após uma infância marcada pela perda dos pais e uma juventude vivida nas ruas, enfrentando fome, violência e o vício em drogas, China agora vislumbra um futuro promissor, impulsionada pelo poder transformador da alfabetização.

Por décadas, a falta de leitura e escrita a fez sentir-se invisível, dependente e vulnerável. “Eu não sabia nem ler e nem escrever. Eu me sentia invisível. Hoje eu sei, e isso mudou tudo”, relata com emoção. Sua trajetória é um testemunho do impacto profundo de políticas públicas inclusivas, como a Ejai Diversidade, que oferece uma segunda chance para aqueles que tiveram seu direito à educação negado.

A iniciativa, que atende pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo trabalhadoras sexuais, pessoas trans e a população em situação de rua, tem mudado vidas. “Foi a educação que me tirou de um mundo cruel”, finaliza China, com a certeza de que cada palavra aprendida é um passo em direção à realização de seus sonhos e à conquista de uma vida com mais dignidade e autonomia. Conforme informação divulgada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), a Prefeitura de Maceió segue com vagas disponíveis para a Ejai em 2026, oferecida em 40 unidades escolares.

Da rua para a sala de aula: o reencontro com o aprendizado

Originária da Paraíba, China perdeu os pais precocemente, o que a levou a viver nas ruas sem nunca ter tido a oportunidade de frequentar a escola. A sobrevivência era a única prioridade. Aos 15 anos, mudou-se para Maceió, carregando uma história de exclusão e sem imaginar que um dia estaria em uma sala de aula. “Eu nunca tinha entrado numa escola. Nunca tinha pegado num livro”, revela.

A dificuldade em ler e escrever impactava diretamente seu cotidiano, tornando-a dependente de terceiros e sujeita a enganos. “Eu sofria muito. Perguntava qual ônibus pegar e me diziam errado. Eu não tinha autonomia para nada. A gente se sente invisível quando não sabe ler”, relembra. Por muitos anos, acreditou que estudar não fazia mais parte de seu destino, uma esperança muitas vezes ofuscada pela dependência das drogas.

A virada aconteceu quando uma conhecida perguntou qual era seu maior sonho. A resposta foi simples e poderosa: aprender a ler e escrever. Essa aspiração, antes distante, ganhou força com a criação da Ejai Diversidade pela Prefeitura de Maceió, um programa pioneiro voltado para públicos em situação de vulnerabilidade. Mesmo diante de resistência e preconceito, China persistiu.

Um novo futuro: de aluna a futura advogada

A emoção tomou conta de Cristiana ao pisar na sala de aula pela primeira vez. “Eu chorei. Nunca tinha usado uma farda, nunca tinha tido um caderno, um livro”, conta. Para ela, cada palavra aprendida é uma conquista imensa. “Cada palavra aprendida é uma conquista. Quando eu leio e acerto, é uma felicidade que não dá para explicar”, comemora.

A alfabetização trouxe mudanças práticas e simbólicas. China agora se locomove com autonomia, viaja sem depender de ajuda e sente uma felicidade que impulsionou sua transformação. “Hoje, eu pego transporte sozinha. Já viajei até Manaus. Antes, isso era impossível. A educação trouxe uma felicidade que me ajudou a mudar”, reconhece.

Mais do que aprender a ler e escrever, ela reconstruiu sua autoestima e sua percepção de si mesma no mundo. “Hoje eu não me sinto mais invisível”, afirma com orgulho. Com a educação como base, novos sonhos floresceram, o mais forte deles é cursar Direito e se tornar advogada. “Quero ser advogada. Quero defender minhas colegas, porque a gente sofre muito preconceito, muitas violências. Quero também ajudar as pessoas em situação de rua”, pontua.

Educação como ato de resistência e justiça social

A sala de aula da Ejai se tornou um ponto de partida para a transformação social, oferecendo dignidade, autonomia e a possibilidade de reescrever trajetórias. A história de Cristiana é um exemplo vivo de que aprender pode ser um ato de resistência, um recomeço e, acima de tudo, um caminho para a justiça social.

A Ejai em Maceió oferece formação básica e, por meio de parcerias, como com o Senai, possibilita cursos de iniciação profissional, ampliando as oportunidades de qualificação e inserção no mercado de trabalho. Os interessados em se matricular devem procurar presencialmente uma das escolas que ofertam a modalidade, apresentando RG e comprovante de residência. O atendimento também pode ser feito na Coordenação Técnica da Ejai na sede da Semed, localizada na Rua General Hermes, na Cambona, das 9h às 15h.

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