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Com a reversão da queda, os sindicalizados no Brasil chegam a 9,1 milhões, cresce a participação feminina no universo sindical, enquanto o cooperativismo atinge o menor nível da série
Após anos de retração, o total de sindicalizados no Brasil parou de cair e alcançou 9,1 milhões em 2024. O movimento marca uma inflexão na série e reabre o debate sobre organização do trabalho.
Os dados mostram mudanças no perfil da base, com maior participação feminina entre os associados e redução da distância em relação aos homens. A leitura por taxa de associação reforça essa aproximação.
O levantamento também registra perda no cooperativismo, que caiu ao menor patamar da série, enquanto a sindicalização estabiliza. As informações são do IBGE, segundo levantamento mais recente.
Evolução recente da sindicalização
Desde 2012, o número de sindicalizados no Brasil vinha encolhendo. Em 2024, a trajetória mudou de direção, e o contingente chegou a 9,1 milhões, sinal de estabilização após anos de queda contínua.
A reversão, ainda discreta, mantém o total distante dos patamares de uma década atrás, mas indica que a base sindical voltou a ganhar fôlego, após sucessivas perdas na série histórica.
Homens e mulheres, diferença menor
O IBGE aponta que, desde 2012, diminui a diferença entre homens e mulheres no universo sindical. Em 2012, eles eram 61,3% do total e elas, 38,7%. Em 2024, são 57,6% e 42,4%, respectivamente.
Pelas taxas de associação, em 2012 a parcela de homens sindicalizados era 16,9%, e a de mulheres, 14,9%. Em 2024, elas caíram para 9,1% entre homens e 8,7% entre mulheres, com distância reduzida.
A diferença entre os sexos passou de 2 pontos percentuais para 0,4. Em 2022, a participação entre elas (9,3%) chegou a superar a deles (9,1%), marco da aproximação de ritmos.
De acordo com William Kratochwill, no intervalo de 12 anos, as mulheres “largaram” menos a sindicalização e, agora, estão acompanhando o aumento no número de associados.
Cooperativismo em baixa histórica
O levantamento revela queda no número de empregadores ou trabalhadores por conta própria associados a cooperativas, forma de organização econômica e social de adesão voluntária e gestão participativa.
Em 2012 eram 1,5 milhão, o equivalente a 6,3% dos ocupados. Em 2024, somaram 1,3 milhão, ou 4,3% dos trabalhadores, o menor patamar já registrado na série histórica do IBGE.
Por que o dado importa
A estabilização dos sindicalizados no Brasil ajuda a dimensionar a capacidade de negociação coletiva e a mapear a recomposição do perfil dos associados, com destaque para o avanço das mulheres.
Ao mesmo tempo, a queda no cooperativismo indica desafios para esse modelo de organização, que perde alcance no conjunto dos ocupados, mesmo com a procura por negócios mais democráticos e participativos.