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quarta-feira, junho 3, 2026

Artesanato da Ilha do Ferro é destaque nacional em questão do Enem e celebra visibilidade para cultura alagoana

Obra de Yang da Paz, filho de Mestre Petrônio, representa tradição e inovação do artesanato local; reconhecimento impulsiona jovens da região

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O artesanato da Ilha do Ferro, localizada no município de Pão de Açúcar, no Sertão de Alagoas, alcançou destaque nacional ao ser tema de uma questão de Linguagens no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado em todo o Brasil no último domingo. O nome do artesão Yang da Paz, de 29 anos, ganhou projeção após a menção de sua obra na prova, evidenciando a importância cultural e simbólica do artesanato alagoano.

Yang integra o Programa Alagoas Feita à Mão, coordenado pela Secretaria de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi), que atua na valorização, capacitação e inserção comercial de artesãos locais. Surpreso com a repercussão, o jovem artista comemora o reconhecimento: “É uma satisfação enorme ver meu trabalho sendo divulgado nacionalmente. Isso vai muito além da visibilidade pessoal; representa o potencial do artesanato da nossa terra”, destacou.

Filho do consagrado Mestre Petrônio e neto artístico do saudoso Mestre Fernando, Yang iniciou no ofício aos sete anos, talhando madeira sob a orientação familiar. Com mais de duas décadas de prática, ele se profissionalizou por meio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), iniciativa nacional que estimula o desenvolvimento sustentável do setor.

Para o secretário Júlio Cezar, da Serfi, o reconhecimento reforça o papel estratégico do artesanato para a identidade e economia criativa do estado: “O programa Alagoas Feita à Mão vem transformando vidas, promovendo dignidade, geração de renda e orgulho cultural. Ver nossos artistas sendo citados em uma prova como o Enem é a prova de que estamos no caminho certo”, afirmou.

Yang acredita que a repercussão pode servir de inspiração para novos talentos da região. “Muitos jovens vão olhar para o artesanato com outros olhos. Na minha família, foi esse trabalho que transformou nossas condições de vida. Há 20 anos, vivíamos de forma muito diferente”, relatou.

O artesão também incentiva colegas de ofício a buscarem inserção por meio do programa estadual, que oferece apoio em feiras nacionais, divulgação e escoamento da produção artesanal. Seu trabalho, assim como o de outros artistas populares alagoanos, pode ser conferido no livro digital “Memórias das Mãos” (2022), disponível gratuitamente no site do programa.

A questão do Enem foi adaptada do portal imaterial.art.br, que mapeia expressões culturais brasileiras reconhecidas como patrimônio imaterial, e agora projeta o talento da Ilha do Ferro para todo o país.

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