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quarta-feira, junho 3, 2026

Doulas no SUS: Regulamentação Amplia Apoio a Gestantes e Partos Humanizados no Brasil

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Regulamentação da Doula no SUS: Um Marco para o Parto Humanizado e o Apoio à Mulher

A recente regulamentação da profissão de doula no Brasil representa um avanço significativo para a integração dessas profissionais ao Sistema Único de Saúde (SUS). Essa medida não apenas formaliza o papel essencial que as doulas desempenham, mas também reforça a importância de um atendimento mais humanizado e acolhedor para gestantes e parturientes.

A atuação das doulas ocorre em um contexto de troca e fortalecimento com outros profissionais da saúde, visando sempre o bem-estar da mulher. Longe de haver disputas, a regulamentação abre portas para uma construção conjunta e colaborativa em favor das gestantes.

Para a diretora da Associação de Doulas do Estado de São Paulo (Adosp), a regulamentação é fundamental para solidificar o papel das doulas e superar resistências, como aponta Rossini. A lei traz maior clareza para a população sobre a existência e a função da profissão, o que, segundo ela, deve aumentar o reconhecimento dos resultados positivos que o trabalho das doulas proporciona à sociedade como um todo.

“Ela vem somar com essa equipe, trazendo as mulheres muito mais preparadas para esse momento do parto. É uma presença que qualifica um cuidado que já existe”, completa Rossini, destacando que vê na ampliação do papel das doulas no SUS um caminho natural para os próximos anos, permitindo ampliar o acesso a direitos com atendimento gratuito e de qualidade. Conforme informação divulgada pelas associações da categoria, a lei teve boa acolhida institucional e foi elogiada por conselhos de outras profissões ligadas ao atendimento de mães e bebês, como a área de enfermagem.

O Papel Essencial da Doula no Pré-Parto e Durante o Trabalho de Parto

A atuação da doula se inicia muito antes do momento do parto. Durante o pré-parto, a profissional atua no acolhimento, na escuta ativa e no suporte emocional, sendo uma grande orientadora para a família na busca por um parto alinhado aos seus desejos. Maria Ribeiro, presidente da Associação de Doulas da Bahia (Adoba), ressalta a importância dessa orientação, que pode incluir a indicação de profissionais e o alinhamento de expectativas.

Ribeiro considera positivo o caminho de construção e as possibilidades abertas pela Lei Nº 15.381, pois facilitará a superação da resistência que ainda é encontrada em algumas redes de saúde. Infelizmente, muitos profissionais ainda não compreendem que as doulas são aliadas no processo de cuidado.

Durante o trabalho de parto, o papel da doula é oferecer suporte físico e emocional. São oferecidas técnicas de alívio da dor não farmacológicas, auxílio em posições e movimentos, e palavras de afirmação. A doula também orienta a família para que tome decisões conscientes durante o processo.

O papel delas é estabelecer o diálogo entre equipe, família e parturiente em um momento de cansaço e vulnerabilidade. Essa relação é facilitada pela confiança construída durante o acompanhamento. A diretora da Adosp, Rossini, enfatiza que o perfil acolhedor da doula é fruto de formação contínua, atualização e reciclagem constantes, reforçadas em encontros promovidos pelas associações.

Formação e Qualificação das Doulas: Garantindo um Cuidado de Qualidade

Com a sanção da lei, fica fixado um curso de formação para doulas com pelo menos 120 horas, incluindo estudos e atuação prática. As associações da categoria se preocupam em garantir que essas formações sejam de qualidade, com doulas ensinando doulas e um levantamento dos cursos existentes para assegurar que atendam às necessidades. Ser doula é, portanto, um processo que envolve dedicação contínua e aperfeiçoamento constante.

O Suporte da Doula se Estende ao Pós-Parto

O papel da doula não se encerra com a saída da sala de parto ou a alta hospitalar. A orientação se estende ao auxílio com técnicas para facilitar a rotina pós-parto, incluindo educação voltada para a amamentação e cuidados na recuperação da mãe e adaptação do bebê. Acompanhar este período é fundamental para torná-lo mais leve e tranquilo, em meio a tantas novidades e adaptações.

Integração Harmoniosa com Outras Profissões de Saúde

O coordenador da Câmara Técnica de Saúde da Mulher no Cofen, Renne Cosmo da Costa, vê a regulamentação com equilíbrio e maturidade institucional. Ele destaca que a presença da doula é positiva, especialmente no acolhimento, suporte emocional e no fortalecimento de uma experiência de parto mais humanizada. A enfermagem brasileira tem um compromisso histórico com a humanização do parto e o respeito às escolhas das mulheres, e o ideal é que essa integração aconteça de forma harmoniosa, com papéis bem definidos.

Costa considera positiva toda iniciativa que fortalece o cuidado, preserva a segurança da assistência e respeita os limites de atuação de cada profissional. Essa integração pode fortalecer a humanização no SUS, valorizando o processo de formação de vínculos dentro da atenção multiprofissional já característica do sistema de saúde. “Não são ideias ou atuações opostas. Elas precisam caminhar juntas e quando cada atuação é respeitada dentro do seu campo, quem ganha é a mulher, quem ganha é o SUS, quem ganha é a qualidade da assistência e toda a sociedade”, conclui.

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