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quarta-feira, junho 3, 2026

Chikungunya em Dourados: Ministro Eloy Terena declara situação crítica e anuncia medidas urgentes para conter surto

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Ministro Eloy Terena classifica como crítica a situação da chikungunya em Dourados e anuncia ações emergenciais

O cenário da chikungunya em Dourados, Mato Grosso do Sul, foi declarado como crítico pelo novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. O município já se encontra em estado de emergência devido ao alto número de casos da doença. A declaração foi feita durante visita do ministro à cidade, onde ele enfatizou a responsabilidade coletiva no enfrentamento da crise sanitária.

“Quando se trata de saúde, de vidas humanas, a responsabilidade é global. Não estamos aqui para dizer que a responsabilidade era do município, do governo estadual ou do governo federal. Estamos aqui para reconhecer esta situação crítica. Portanto, não temos uma posição negacionista e vamos enfrentá-la”, afirmou Terena.

A chikungunya tem afetado de forma desproporcional as comunidades indígenas locais. Desde janeiro até o início de abril, Mato Grosso do Sul registrou 1.764 casos confirmados da doença, sendo que 759 concentram-se em Dourados. O impacto é ainda mais severo nas reservas indígenas, onde cinco dos sete óbitos registrados no estado ocorreram, incluindo dois bebês com menos de quatro meses.

Conforme informação divulgada pelo governo de Mato Grosso do Sul, além dos casos confirmados, havia 1.893 casos em análise no estado. A situação em Dourados motivou o governo federal a anunciar um pacote de medidas para combater o mosquito Aedes aegypti e aprimorar o atendimento aos pacientes. O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena do estado (DSEI-MS) emitiu um alerta epidemiológico devido ao aumento dos casos na cidade.

Reforço de pessoal e recursos para o combate à chikungunya

Em resposta à emergência, o governo federal destinou cerca de R$ 3,1 milhões para Dourados. Desse total, R$ 1,3 milhão será direcionado a ações de socorro e assistência humanitária, R$ 974,1 mil para iniciativas como limpeza urbana e remoção de resíduos, e os R$ 855,3 mil restantes para vigilância, assistência e controle da chikungunya.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional já havia reconhecido a situação de emergência em 30 de março, após decreto da prefeitura. Para intensificar o combate ao mosquito, agentes da Força Nacional do SUS foram enviados para integrar uma força-tarefa com servidores da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.

Daniel Ramos, representante do Ministério da Saúde, destacou que a pasta contratará e capacitará 50 agentes de combate a endemias provisoriamente, sendo que 20 deles iniciaram os trabalhos já no último sábado. Estes agentes, juntamente com 40 militares do Ministério da Defesa, somarão esforços no atendimento à população e no combate aos focos do Aedes aegypti, visando reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.

Desafios na Reserva Indígena e a questão do lixo

A situação na Reserva Indígena de Dourados, que foi englobada pelo município e hoje está cercada pela área urbana, apresenta desafios singulares. O ministro Eloy Terena cobrou da prefeitura maior atenção à coleta de lixo nas aldeias, um fator crucial para a eliminação de criadouros do mosquito.

“Temos que aperfeiçoar a questão dos resíduos sólidos, do lixo. É preciso atender de igual forma não só o contexto urbano, como as comunidades indígenas”, ressaltou Terena. Ele manifestou a intenção de se reunir com representantes dos governos municipal e estadual para discutir projetos estruturais que melhorem a coleta de lixo nas comunidades indígenas.

Monitoramento contínuo e cenário dinâmico da doença

Juliana Lima, representante da Força Nacional do SUS, relatou que as equipes de saúde atuam diariamente nas aldeias Bororó e Jaguapiru, na Reserva Indígena Dourados. No entanto, ela pontuou a dificuldade em afirmar se houve uma melhora significativa nas últimas semanas, devido ao cenário epidemiológico dinâmico.

“O cenário está muito dinâmico. Ele vem se mostrando, dia após dia, com um perfil epidemiológico diferenciado. Então, a gente não está conseguindo ainda afirmar se há uma diminuição ou um aumento [do número de casos] nesta ou naquela aldeia. Mas fazemos o monitoramento, os registros, diariamente e, com isso, conseguimos sinalizar para a vigilância onde eles devem priorizar os atendimentos dos casos agudos”, explicou Lima.

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