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Acordo assinado por Marco Lucchesi e Marwan Awartani prevê distribuição mensal de títulos por João Marcelo Queiroz, em ação de cultura de paz e cidadania global
A Biblioteca Nacional vai enviar à Palestina livros de 21 autores brasileiros, traduzidos para o árabe, fortalecendo a diplomacia do livro e o intercâmbio cultural.
O protocolo foi firmado entre Marco Lucchesi, presidente da FBN, e Marwan Awartani, diretor da Biblioteca Nacional da Palestina, com participação do Itamaraty.
Os títulos serão distribuídos mensalmente pelo embaixador João Marcelo Queiroz a bibliotecas e centros culturais palestinos, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Como será o envio e a distribuição dos livros
O acordo foi assinado no escritório da representação do Brasil na Cisjordânia, na Palestina, com Lucchesi por videoconferência, o que reforça o caráter institucional da iniciativa.
Com apoio do Itamaraty, a remessa dos livros ocorrerá de forma contínua, em lotes mensais, garantindo presença permanente de literatura brasileira em árabe no território palestino.
Segundo a FBN, os títulos alcançarão a Biblioteca Nacional da Palestina e centros culturais locais, ampliando o acesso de leitores a autores do Brasil.
Diplomacia do livro e cultura de paz
Lucchesi destacou que a Biblioteca Nacional atua pela cultura de paz, valorizando a circulação de ideias e a formação de uma cidadania global por meio de livros.
Em suas palavras, a FBN realiza a diplomacia do livro, “no sentido da tradição antiga, que sempre existiu, porque os livros eram a biblioteca dos reis, dos presidentes, só que agora ela está ligada à cidadania”.
Para ele, “Uma cidadania em que os laços humanitários, solidários e fraternos agora atravessam as fronteiras”. E completou, “A Palestina assume uma paisagem extremamente importante e solidária, da mesma forma que o Haiti”.
Ao comentar a cooperação com países árabes, Lucchesi citou acordos com a Câmara Árabe do Livro e a presença histórica de jornais em árabe publicados no Brasil.
Sobre o pacto, afirmou, “É um acordo que é a favor de todos. Não é contra ninguém. É um acordo a favor da paz, da solidariedade dos povos”.
Laços com a diáspora árabe e formação técnica
A migração árabe para o Brasil criou vínculos de longa data, e a Biblioteca Nacional busca renová-los com ações de cooperação literária e técnica permanentes.
Para 2026, a FBN propôs à BN da Palestina cursos de preservação e conservação, em formatos digital e físico, além de seminários especializados.
Está prevista visita de Marco Lucchesi à Palestina, integrando comitiva de autoridades brasileiras, com agenda voltada à ampliação de parcerias.
Haiti, assistência técnica e rede ibero-americana
Foi firmado acordo com o Haiti, que prevê a vinda de equipe liderada por Dangelo Neard à sede da FBN, no Rio de Janeiro, provavelmente no início do próximo ano.
No país caribenho, a Biblioteca Nacional do Brasil oferecerá curso in loco de conservação e preservação, além de formação online em francês para restauração de acervos.
Lucchesi lembrou que a BN haitiana sofreu “perda muito importante de acervo no ano passado”, após incêndio e saques praticados por grupos armados.
Segundo ele, a FBN tem responsabilidade ampliada com a região por ocupar a vice-presidência da Abinia, apoiando bibliotecas da América Latina.
Parcerias com França e Vaticano, próximas ações
Na semana passada, a FBN firmou acordo com a Biblioteca Nacional da França, com foco em tecnologias de informação e cooperação curatorial.
No dia 25, a Biblioteca Nacional inaugura exposição com curadorias francesa e brasileira para celebrar 200 anos de relações entre os dois países.
Outro acordo citado envolve o Vaticano. Em 2026, Lucchesi terá encontro com o Papa Leão 14, que receberá um livro publicado pela BN brasileira.
Em janeiro, a Universidade Gregoriana sediará uma exposição virtual da FBN, celebrando os 200 anos de relacionamento da Santa Sé com o Brasil.
Para Lucchesi, além da diplomacia do livro, há uma rede global entre bibliotecas nacionais, que se abrem para leitores e pesquisadores, fortalecendo a cooperação.
Com o envio de literatura brasileira em árabe à Palestina, a Biblioteca Nacional busca ampliar acesso, promover diálogo cultural e sustentar uma agenda de paz.