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quarta-feira, junho 3, 2026

COP30 em Belém, crianças participam das negociações climáticas, MiniCops e Instituto Alana levam voz da infância à ONU e cobram decisões com direitos

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Na COP30, em Belém, crianças e jovens entram nas negociações do clima, com MiniCops e Instituto Alana, e pedem decisões que coloquem a infância no centro

Crianças e jovens ocuparam os espaços da COP30, em Belém, em um dia temático voltado à infância. Eles levaram urgências do clima para dentro das negociações da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

O movimento MiniCops, criado pela presidência da COP30 e articulado pelo Instituto Alana, garantiu presença ativa nos debates e entregas do Balanço Ético Global, ampliando a escuta de crianças e adolescentes.

Relatos de calor extremo, mudanças nas chuvas amazônicas e barreiras no acesso à escola reforçaram o apelo por prioridade à infância nas decisões climáticas, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.

Vozes da infância na COP30

A paulista Sofia de Oliveira, 15 anos, sintetizou a angústia de sua geração ao relacionar metas climáticas, futuro e direitos das crianças.

“Se a gente não conseguir atingir as metas necessárias, o planeta vai se deteriorar e nós, que somos crianças, não vamos conseguir ter um futuro que a gente realmente gostaria, com paz entre as pessoas e a natureza”.

Da Tanzânia, Georgia Magessa, 11 anos, levou experiências de calor extremo e impactos no estudo e nas brincadeiras, pedindo adaptação e proteção aos mais vulneráveis.

“O calor faz com que seja difícil para nós irmos brincar em áreas abertas, se está muito quente fica mais difícil para algumas crianças irem à escola, especialmente as crianças vulneráveis ou com deficiência, como as cegas, por exemplo. Então, crianças e jovens são afetados de muitas formas.”

Georgia relata mobilização comunitária e ações concretas de cuidado ambiental lideradas por crianças, do plantio à limpeza de praias.

“Então, eu e outras crianças plantamos árvores, limpamos as praias e também salvamos o meio ambiente”.

Morador da Amazônia, André da Luz, 17 anos, descreveu mudanças no regime de chuvas e variações mais intensas de temperatura em Belém e no interior do Pará.

“Aqui em Belém as nossas chuvas amazônicas mudaram. Dez anos atrás a gente tinha chuvas naquele período do dia em um determinado período do ano. Agora destoou muito que era antes. A gente observa que fica muito mais quente ou muito mais frio e chove muito mais.”

MiniCops garante espaço nas decisões

O mutirão das MiniCops foi incorporado ao Balanço Ético Global para assegurar participação qualificada de crianças, com escuta contínua ao longo do ano.

Segundo JP Amaral, do Instituto Alana, a proposta é dar representatividade real, indo além do registro simbólico.

“A gente está honrando com um compromisso que a presidência brasileira da COP30 tem cumprido de fazer o processo de escuta ao longo de um ano inteiro e de trazer as vozes das crianças para este espaço. Não apenas para uma foto, mas realmente com representatividade e participação no processo”.

Na prática, a atuação ocorre por meio de uma constituinte de crianças e adolescentes, liderada pela campeã da juventude para a COP30, Marcele Oliveira, com efeitos já percebidos nas discussões.

Dados, menções e próximos passos

Estudo da organização analisou menções à infância em compromissos das COPs. Até a COP16, apenas duas vezes as crianças foram consideradas em decisões, aponta o levantamento.

“Nos últimos seis anos a gente teve 77 menções. Isso mostra como o tema tem avançado e cada vez mais com menções estratégicas trazendo textos de negociações que impactam a vida das crianças”, explica Amaral.

Para as negociações atuais, a demanda é por transversalidade dos direitos das crianças em todos os acordos, da transição justa aos indicadores de adaptação.

“O que a gente espera para essa COP nas negociações é que, de fato, tenha um texto que coloque as crianças como consideração primordial, que até a linguagem, como está na Convenção dos Direitos das Crianças sejam reconhecidas de forma transversal em todas as decisões que saírem. De transição justa, a questão de gênero e dos indicadores de adaptação”.

Com isso, a COP30 abre espaço para que crianças influenciem políticas climáticas e ajudem a orientar soluções de adaptação, educação e proteção social, com foco em justiça climática.

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