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Com energia mais barata e IPCA de outubro em 0,09%, a previsão da inflação recua a 4,46% no ano, volta ao intervalo da meta e reacende o debate sobre juros, câmbio e crescimento
A previsão da inflação para este ano recuou de 4,55% para 4,46%, aproximando o IPCA do centro da meta e posicionando o índice abaixo do teto de 4,5%.
O movimento vem após o IPCA de outubro mostrar alívio, com forte influência da conta de luz, o que ajudou a reduzir pressões sobre preços.
Os dados foram divulgados no Boletim Focus do Banco Central nesta segunda, 17, e pelo IBGE, que reportou a leitura do IPCA, conforme as instituições.
IPCA de outubro é o menor para o mês desde 1998
O IPCA fechou outubro em 0,09%, o menor resultado para o mês desde 1998, segundo o IBGE. Em setembro, a variação havia sido de 0,48%, e em outubro de 2024, de 0,56%.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,68%. É a primeira leitura em oito meses abaixo de 5%, ainda acima do teto da meta do CMN.
A queda na conta de luz foi decisiva para o alívio, indicando impacto dos itens administrados sobre a previsão da inflação no curto prazo.
A meta definida pelo CMN é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Juros, Selic e o recado do Copom
Para perseguir a meta, o Banco Central usa a Selic como principal instrumento. A taxa está em 15% ao ano, mantida pela terceira vez seguida no início deste mês.
O Copom afirmou que pode voltar a elevar os juros, “caso julgue apropriado“, reforçando postura vigilante diante do cenário externo e da inflação resistente.
Em nota, o BC destacou incerteza global, em especial com a conjuntura e a política econômica dos Estados Unidos, que afeta condições financeiras.
No front doméstico, o BC avaliou que a inflação segue acima da meta, apesar da desaceleração da atividade, o que indica juros altos por mais tempo.
Segundo o Focus, a expectativa é que a Selic encerre 2025 em 15% ao ano. Para 2026, a projeção é de 12,25% ao ano, para 2027, 10,5% ao ano, e para 2028, 10% ao ano.
Crescimento do PIB e câmbio no radar
O Focus manteve em 2,16% a estimativa para o crescimento do PIB neste ano, sinalizando atividade moderada com inflação em queda.
O dólar foi projetado em R$ 5,40 ao fim deste ano. Para o fim de 2026, a estimativa subiu para R$ 5,50, refletindo o ambiente externo incerto.
No segundo trimestre, a economia cresceu 0,4%, puxada por serviços e indústria. Em 2024, o PIB subiu 3,4%, o maior avanço desde 2021, quando alcançou 4,8%.
Esse pano de fundo compõe o quadro para a previsão da inflação, que agora aponta alívio, mas ainda demanda cautela com juros e expectativas.
O que esperar para 2026, 2027 e 2028
Para 2026, a projeção do IPCA ficou em 4,2%. Para 2027 e 2028, as estimativas são de 3,8% e 3,5%, respectivamente, segundo o Focus.
No crescimento, o mercado prevê PIB de 1,78% em 2026, 1,88% em 2027 e 2% em 2028, com mix de política econômica mais neutro.
Com a previsão da inflação em queda, o balanço de riscos segue sensível a choques externos, ao câmbio e ao comportamento dos preços administrados.
Se a tendência se mantiver, a inflação pode permanecer dentro do intervalo em 2025, com espaço futuro para normalização gradual dos juros, condicionada aos dados.
Para o consumidor, juros altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, já juros menores barateiam o crédito e aquecem a demanda, influenciando a inflação.