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quarta-feira, junho 3, 2026

Indígena Guarani Kaiowá é morto em ataque armado em Iguatemi, MS, Funai confirma crime e comunidade denuncia ação de 20 homens na retomada Pyelito Kue

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Ataque na retomada Pyelito Kue, em Iguatemi, deixa um Indígena Guarani Kaiowá morto, quatro feridos e bloqueios de acesso, segundo Funai e Cimi

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas confirmou a morte de um Indígena Guarani Kaiowá em ação armada na retomada Pyelito Kue, zona rural de Iguatemi, no sul do Mato Grosso do Sul, na madrugada deste domingo.

Segundo o Cimi, a vítima é Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, 36 anos, atingido por um tiro na cabeça. A comunidade relata invasão por cerca de 20 homens armados, que entraram na área por volta das 4h.

Quatro pessoas ficaram feridas por arma de fogo ou balas de borracha, entre elas adolescentes e uma mulher. Há relatos de bloqueio do acesso e de uma ponte destruída, conforme informações divulgadas pela Funai e pelo Cimi.

Como foi o ataque, segundo relatos

De acordo com a comunidade, os homens cercaram a área ainda de madrugada, cortaram rotas e dispararam contra as famílias. Servidores da Sesai foram mobilizados para atender os feridos, informou a Funai em nota.

Indígenas disseram que os pistoleiros tentaram levar o corpo de Vicente, mas foram impedidos. Equipes federais acompanham diligências e articulam ações com órgãos de segurança pública, segundo a autarquia.

Retomadas, demarcação e uso de agrotóxicos

No sul do estado, a escalada de retomadas busca conter a pulverização de agrotóxicos, que afeta a saúde e a segurança alimentar das aldeias, apontam organizações indígenas.

Pyelito Kue está na Terra Indígena Iguatemipeguá I, cujo RCID foi publicado em 2013, com 41,5 mil hectares. A comunidade afirma esperar há cerca de 40 anos pela conclusão do processo demarcatório.

Reação da Funai e medidas do governo

A Funai manifestou profundo pesar e classificou o assassinato como inaceitável. A autarquia mobilizou equipes para acompanhar as investigações e apoiar a comunidade após o ataque.

Em 3 de novembro, por meio de uma força-tarefa, o Ministério dos Povos Indígenas, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, MDA, e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, MGI, instituíram um Grupo de Trabalho Técnico.

Defensores do clima e a urgência de proteção

A Funai destacou que a morte de mais um Indígena Guarani Kaiowá ocorre quando o mundo discute a importância dos povos indígenas para a mitigação climática, tema em destaque rumo à COP30.

Na nota, a autarquia afirma, infelizmente evidenciando que não existe trégua na perseguição aos corpos dos defensores do clima. A Funai pede apuração e proteção efetiva às comunidades.

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