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SUS amplia vacinação contra doença pneumocócica com nova vacina para bebês e grupos de risco
O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo importante na proteção da população contra a doença pneumocócica, uma infecção bacteriana grave que pode levar a quadros como meningite, pneumonia e sepse. A partir de agora, a vacina 20-valente (VPC20) passará a ser utilizada no calendário básico de vacinação infantil, substituindo a versão 10-valente (VPC10). Além disso, a nova vacina estará disponível para grupos de alto risco.
A medida visa reverter a tendência de aumento nos casos de doença pneumocócica observada nos últimos anos. Apesar da eficácia da VPC10, introduzida em 2010 e que reduziu significativamente as infecções por dez sorotipos específicos, uma mudança epidemiológica tem permitido o crescimento de casos causados por outros sorotipos da bactéria. Esses novos sorotipos prevalentes são justamente os que a VPC20 protege, oferecendo uma cobertura mais abrangente.
A Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, explica que esse fenômeno é comum após a introdução de vacinas eficazes. “A gente controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço”, afirma. Dados do Ministério da Saúde indicam que quase 40% dos casos graves entre 2018 e 2023 foram causados por sorotipos não cobertos pela VPC10, mas presentes na VPC20. Conforme informações do Ministério da Saúde.
Aumento de casos e a necessidade de nova proteção
Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. No entanto, entre 2022 e 2024, essa média subiu para 211,3 casos. Essa elevação acende um alerta para a necessidade de ampliar a proteção vacinal, especialmente contra os sorotipos que têm ganhado espaço na circulação bacteriana.
A VPC20 protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, enquanto a VPC10 cobre apenas 10. A nova vacina também é eficaz em prevenir que o pneumococo se instale na nasofaringe, diminuindo a transmissão da bactéria e protegendo indiretamente pessoas não vacinadas. Essa característica é fundamental para o controle da disseminação da doença.
Grupos de risco e a ampliação do acesso
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já dispunha de vacinas mais abrangentes, como a VPC13 e a VPP23, mas estas eram restritas a públicos específicos com condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade. Com a transição para a VPC20, esses imunizantes mais antigos serão gradualmente substituídos. Os grupos considerados de alto risco incluem pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, imunodeficientes, pessoas com doenças crônicas (renais, pulmonares, cardíacas, hepáticas), asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de Down e prematuros.
Esquema vacinal e orientações para a transição
O calendário básico para bebês prevê duas doses da vacina pneumocócica aos 2 e 4 meses de idade, com um reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não foram vacinadas na idade correta devem atualizar a caderneta o quanto antes. Durante o período de transição, o esquema vacinal para bebês será adaptado: a primeira dose e o reforço serão com a VPC20, enquanto a segunda dose poderá ser com a VPC10 ou VPC20, dependendo da disponibilidade.
Crianças que já iniciaram o esquema com a VPC10 receberão a VPC20 nas doses subsequentes. Além disso, uma dose de reforço da VPC20 será aplicada em crianças menores de 5 anos que completaram o esquema básico apenas com a VPC10. A vacinação é contraindicada apenas para pessoas com alergia grave a algum componente da vacina ou que tiveram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se aguardar a melhora de quadros febris antes de se vacinar.
Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.