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quarta-feira, junho 3, 2026

HPV causa 7,5 mil mortes anuais por câncer no Brasil; maioria é prevenível

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HPV causa 7,5 mil mortes anuais por câncer no Brasil; maioria é prevenível

O Papilomavírus Humano (HPV) é o responsável por cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil hospitalizações anuais no Brasil, sendo que 85% dos casos afetados são mulheres. A boa notícia é que a maioria dessas ocorrências é considerada totalmente prevenível, através da vacinação e da identificação de lesões precursoras que podem ser tratadas antes de evoluírem para câncer.

Esses dados alarmantes foram compilados em um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que analisou informações oficiais do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019. O objetivo foi mapear as tendências de hospitalização e mortalidade antes do impacto da pandemia de Covid-19 nos indicadores de saúde.

A diretora executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real da farmacêutica MSD, Cintia Parellada, que liderou a pesquisa, ressalta a importância de alertar sobre os diversos tipos de câncer que o HPV pode desencadear. Os pesquisadores estimaram a proporção de casos causados pelo vírus com base em dados consolidados pela literatura médica.

Câncer de colo do útero: a maior preocupação, mas não a única

O câncer de colo do útero se mantém como a principal preocupação, respondendo por 74,3% das hospitalizações e 77,3% das mortes no período estudado. No entanto, um em cada quatro pacientes desenvolveu a doença em outras partes do corpo, totalizando mais de 50 mil hospitalizações.

Cintia Parellada enfatiza que o foco exclusivo no câncer de colo do útero pode gerar uma percepção equivocada de que apenas as mulheres precisam se vacinar. O HPV, na verdade, está ligado a oito tipos de cânceres que afetam ambos os sexos: colo do útero, vagina, vulva, ânus, pênis, além de orofaringe, laringe e cavidade oral (cânceres de cabeça e pescoço).

Aumento em cânceres de cabeça e pescoço e anal

O câncer anal foi o tipo que apresentou o maior crescimento em ocorrências, com um aumento de 3,1% nas hospitalizações e 10,9% na mortalidade. Homens que fazem sexo com homens e pessoas com o sistema imunológico comprometido são grupos particularmente vulneráveis a este tipo de câncer.

A líder do estudo também chama a atenção para o fato de que os cânceres de cabeça e pescoço acometem quatro vezes mais homens do que mulheres. Em países que já avançaram no controle do câncer de colo do útero, o problema do HPV tem se tornado mais proeminente nos homens devido a esses tipos de câncer. Nestes casos, não há lesão precursora tratável, sendo a vacinação a única forma de prevenção.

Tendências preocupantes e diagnóstico precoce

O estudo aponta uma tendência preocupante no câncer de colo do útero. Após uma queda nas hospitalizações entre 2011 e 2016, houve um crescimento de 3,9% entre 2016 e 2019. A mortalidade seguiu o mesmo padrão, com uma leve queda seguida por uma alta. A análise etária também revela que as hospitalizações por câncer de colo do útero já são expressivas a partir dos 30 anos, com média de idade de 47 anos, dez anos menor que em outros tipos de câncer relacionados ao HPV.

“Hoje o câncer do colo do útero é o câncer que mais mata mulheres em idade reprodutiva e é o que tem maior nível de incidência nessa faixa etária”, reforça Cintia. Ela destaca que apenas 40% das mulheres realizam o Papanicolau periodicamente, o que leva a diagnósticos tardios, quando a doença já está em estágio avançado.

Prevenção e vacinação: as chaves para a eliminação

O Papanicolau, ou exame preventivo, é fundamental para detectar o HPV e lesões precursoras, permitindo tratamento e evitando a evolução para câncer. Recentemente, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes, recomendando o teste DNA-HPV oncogênico para mulheres e pessoas com útero entre 25 e 64 anos. Em caso negativo, o exame é repetido a cada cinco anos.

Autoridades de saúde acreditam que, com rastreamento organizado, tratamento oportuno e alta cobertura vacinal, o câncer de colo do útero pode ser eliminado em 20 anos. A janela de oportunidade para prevenção é grande, pois o desenvolvimento de lesões precursoras e do câncer leva anos.

A vacina contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 e já demonstra redução na incidência de câncer e lesões precursoras. Apesar disso, o Inca projeta um aumento de 14% nos casos de câncer de colo do útero até 2028. A vacinação é recomendada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, antes do início da vida sexual, e o Ministério da Saúde realiza campanhas de resgate vacinal para jovens de até 19 anos.

Grupos específicos, como pessoas imunodeprimidas, vítimas de abuso sexual, usuários de PrEP e pacientes com lesões pré-cancerosas de alto grau, também devem ser vacinados. Para outros públicos, a vacina está disponível na rede privada.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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