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Estudo da Ufal: Matéria Orgânica Domina Resíduos no Aterro de Maceió
Mais da metade do lixo que chega ao aterro sanitário de Maceió é composto por matéria orgânica, segundo aponta um estudo detalhado liderado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A pesquisa, realizada em parceria com a empresa Orizon, operadora do aterro, e com apoio da Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (Alurb), oferece um panorama crucial para a gestão pública de resíduos sólidos na capital alagoana.
O levantamento, que envolveu estudantes de Engenharia Ambiental e Civil, foi conduzido ao longo de 2025, com quatro campanhas de caracterização dos resíduos em diferentes períodos do ano. A metodologia buscou abranger a diversidade da população, analisando amostras de bairros representativos de cada Região Administrativa de Maceió, totalizando mais de cem caracterizações diretas no aterro.
Os resultados da pesquisa são um marco para o planejamento e a implementação de políticas mais eficazes de coleta seletiva e tratamento de resíduos. A compreensão detalhada da composição do lixo é fundamental para identificar oportunidades de reciclagem, compostagem e outras soluções sustentáveis, visando a diminuição do volume destinado ao aterro. A análise completa foi entregue à Orizon para subsidiar ações futuras.
Composição Detalhada do Lixo em Maceió
A caracterização média anual dos resíduos revelou que a matéria orgânica representa expressivos 54,6% do total. Em seguida, os plásticos aparecem com 21,3%, seguidos por papéis (8,9%) e a categoria outros (8,5%). Materiais como têxteis (4,6%), vidro (1,2%) e metais (1%) compõem o restante.
A professora Nélia Callado, coordenadora do estudo, destacou que a Região Administrativa 2 apresenta o maior percentual de matéria orgânica, enquanto a RA6 lidera em recicláveis. No entanto, a análise considerando a contribuição populacional indica que a RA7, que inclui bairros como Cidade Universitária e Clima Bom, é a maior fonte de matéria orgânica e recicláveis.
Somando apenas os materiais recicláveis como vidro, metais, plásticos e papéis, o estudo aponta que eles representam aproximadamente 32,4% da composição média anual dos resíduos, evidenciando um significativo potencial de reaproveitamento.
Variações Sazonais na Composição dos Resíduos
O estudo também investigou as diferenças na composição dos resíduos entre os períodos seco e chuvoso. Observou-se que a matéria orgânica foi mais predominante no período seco, atingindo 58,8%, enquanto no chuvoso o percentual caiu para 50,4%.
Em contrapartida, o período chuvoso registrou um aumento na categoria outros, saltando de 5,8% para 11,1%. Pequenas variações também foram notadas em papéis (de 8,2% para 9,5%) e metais (de 0,7% para 1,3%). A participação dos plásticos manteve-se estável em torno de 21%, e o vidro permaneceu em 1,2%.
Essas variações sazonais são importantes para o planejamento de ações como a coleta seletiva e campanhas educativas, além de auxiliar no dimensionamento de soluções de tratamento de resíduos mais adaptadas às condições locais.
Histórico e Relevância da Pesquisa
A Ufal possui um histórico de protagonismo em estudos sobre resíduos em Maceió, tendo realizado sete caracterizações desde a época do antigo lixão. A pesquisa de 2025 é considerada a mais completa e detalhada já conduzida pela instituição, incluindo análises físico-químicas da fração orgânica no Laboratório de Saneamento Ambiental do Ctec.
O trabalho de campo e as análises laboratoriais resultaram em um relatório minucioso, detalhando a composição por bairro e Região Administrativa. A professora Nélia Callado ressaltou a importância do estudo para a gestão dos resíduos sólidos na cidade, fornecendo dados essenciais para a tomada de decisões estratégicas e sustentáveis.
Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.