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quarta-feira, junho 3, 2026

Células-tronco: nova esperança contra complicações do transplante de medula no Brasil

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Nova terapia com células-tronco promete revolucionar tratamento de complicações em transplantes de medula óssea

Uma nova abordagem terapêutica utilizando células-tronco mesenquimais está sendo desenvolvida no Brasil para combater uma das complicações mais severas após o transplante de medula óssea: a Doença do Enxerto Contra Hospedeiro (DECH) crônica. O tratamento tradicional, baseado em corticosteroides, nem sempre é eficaz e pode apresentar efeitos colaterais significativos.

A alternativa, batizada de MesenCell, busca atuar diretamente na causa da inflamação. Diferente dos métodos convencionais, que apenas suprimem os sintomas, a nova terapia visa modular o sistema imunológico do paciente, reduzindo a atividade das células de defesa que atacam o organismo transplantado.

A pesquisa, pioneira no país, já demonstrou resultados promissores em estudos-piloto. A expectativa é que o MesenCell ofereça uma opção mais eficaz e segura para pacientes que não respondem aos tratamentos atuais ou que não podem utilizá-los devido à toxicidade. A pesquisa está sendo custeada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), conforme informado pelo grupo de pesquisa.

Como funciona o MesenCell?

O MesenCell utiliza células-tronco mesenquimais, obtidas da medula óssea de doadores e processadas em laboratório. Essas células possuem a capacidade de modular a resposta imunológica, diminuindo a proliferação das células T e B, principais responsáveis pelo ataque na DECH. “Ela atua na base, liberando alguns fatores solúveis que vão modular todo o sistema imunológico do paciente, diminuindo a proliferação dessas células e melhorando toda a inflamação”, explica Carmen Kuniyoshi Rebelatto, coordenadora do projeto.

Resultados animadores em estudo-piloto

Um estudo-piloto com 11 pacientes portadores de DECH crônica já utilizou uma versão anterior da terapia. Os resultados foram encorajadores: metade dos pacientes apresentou remissão completa da doença. Além disso, houve melhora significativa nos comprometimentos gastrointestinais (75%) e nos sintomas de pele (100%), incluindo casos graves de esclerodermia, uma condição que endurece a pele e limita a mobilidade.

A coordenadora Carmen Kuniyoshi Rebelatto relatou a reversão do processo de esclerodermia em pacientes, que desenvolvem fibrose na pele, impedindo seus movimentos. “A gente conseguiu reverter esse processo”, comemora.

Próximos passos da pesquisa

Uma nova fase de estudos clínicos, com 20 pacientes, está programada para iniciar em setembro. Esta etapa utilizará uma formulação aprimorada das células-tronco, considerada mais viável. Os testes ocorrerão em três centros de referência no Paraná: Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Hospital Erasto Gaertner e Hospital Nossa Senhora das Graças.

O objetivo futuro é firmar parceria com empresas farmacêuticas para viabilizar a produção em larga escala do MesenCell, tornando essa terapia inovadora acessível a um número maior de pacientes que necessitam de transplante de medula óssea e enfrentam suas complicações. A pesquisa representa um avanço promissor para a medicina regenerativa e para o tratamento de doenças autoimunes no Brasil.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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