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Nova fase da Avibras inclui criação da Avibras Aeroco, renegociação de passivos, captação de cerca de R$ 300 milhões e retorno gradual das atividades industriais
A Avibras retomou operações após quatro anos de paralisação, em um movimento que marca o fim de uma crise financeira profunda. Em recuperação judicial desde 2022, a companhia acumula cerca de R$ 800 milhões em dívidas, e inicia agora um processo de reordenação operacional e administrativa.
A reestruturação envolve a criação da Avibras Aeroco, foco em ativos estratégicos como o Sistema Astros e a captação de aproximadamente R$ 300 milhões para sustentar a retomada. Inicialmente, a empresa opera com 271 trabalhadores ativos já em maio, com previsão de recontratações graduais.
O retorno também decorre de um acordo com o sindicato que encerra uma greve histórica, e prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas a cerca de 1,4 mil funcionários, com parcelamento entre 12 e 48 meses, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Reestruturação financeira e nova estrutura operacional
A reestruturação financeira da Avibras se apoia em três frentes, renegociação de passivos, captação de recursos e reorganização de ativos estratégicos. A criação da Avibras Aeroco visa concentrar tecnologias, projetos e capacidades industriais, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional e melhorar a governança.
O movimento busca tornar a empresa mais atrativa para investidores, em um mercado de defesa altamente competitivo. Entre os ativos relevantes para a retomada de receitas, está o Sistema Astros, além de projetos em mísseis e sistemas avançados que são parte central do reposicionamento estratégico.
Impacto social e saldo do acordo trabalhista
A reativação das operações trouxe alívio para trabalhadores e para a economia local, depois de uma greve que durou 1.280 dias. A paralisação foi motivada por atrasos salariais e tornou-se uma das mais longas do setor.
O entendimento com o sindicato prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões a cerca de 1,4 mil funcionários, com parcelamento entre 12 e 48 meses, e foi apontado como condição decisiva para a retomada. A empresa opera inicialmente com 271 trabalhadores ativos já em maio, e prevê recontratações graduais.
Captação, fluxo de caixa e retomada operacional
Para recompor o fluxo de caixa, a Avibras estruturou captações e negociações com credores, obtendo recursos na ordem de aproximadamente R$ 300 milhões. Esses recursos serão usados para reativar linhas de produção, manter projetos em curso e financiar a nova estrutura da Avibras Aeroco.
Mesmo com o elevado endividamento declarado, a empresa aposta na combinação entre preservação de ativos estratégicos e melhoria da governança para viabilizar receitas e retomar contratos, internos e de exportação.
Perspectivas no mercado global de defesa
O retorno da Avibras ocorre em um contexto de aumento da demanda global por equipamentos militares, motivado por tensões geopolíticas e programas de modernização de forças armadas. A recuperação pode reconduzir a empresa a um papel de destaque na Base Industrial de Defesa do Brasil.
Sob a liderança de Sami Hassuani, a nova fase busca crescimento sustentável e expansão para novos mercados. Se bem-sucedida, a reestruturação poderá recolocar a Avibras como protagonista no setor, com foco em produtos como o Sistema Astros e em soluções de longo prazo para forças armadas nacionais e internacionais.