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Opas emite alerta sobre alta de casos de gripe H3N2 e VSR no Hemisfério Sul, com Brasil na mira das autoridades sanitárias.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lançou um alerta importante sobre o aumento expressivo de casos de gripe, especialmente pela variante Influenza A(H3N2), e do vírus sincicial respiratório (VSR) no Hemisfério Sul. O Brasil figura entre os países que registram essa preocupante elevação, acendendo um sinal vermelho para os sistemas de saúde.
Essa escalada de vírus respiratórios, somada à circulação contínua da Covid-19, mesmo que em menor intensidade, representa um desafio significativo para a capacidade de atendimento e resposta das unidades de saúde. A Opas enfatiza a urgência de medidas preventivas e de vacinação para mitigar o impacto.
Os dados mais recentes confirmam a tendência de alta. No Brasil, a taxa de positividade para a Influenza, que estava abaixo de 5% no início do ano, subiu para 7,4% no final de março. A predominância da cepa A(H3N2) é clara, exigindo atenção especial na vigilância genômica. Conforme dados do Ministério da Saúde, até 21 de março, 72% dos testes sequenciados correspondiam ao subclado K da Influenza A(H3N2).
VSR: Um Risco Crescente para Crianças e Grupos de Risco
Paralelamente à gripe, a Opas também destaca o aumento gradual na circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) em diversos países, incluindo o Brasil. Este vírus, que antecipa seu padrão sazonal típico, representa um potencial impacto significativo na saúde de crianças pequenas e outros grupos de risco nas próximas semanas, podendo levar a quadros graves como a bronquiolite.
Vacinação Reforçada como Pilar da Proteção
Diante deste cenário desafiador, a Opas recomenda enfaticamente que os países da região intensifiquem as campanhas de vacinação. A vacina contra a gripe, atualizada anualmente, demonstrou eficácia, inclusive contra a hospitalização em crianças no Reino Unido. A vacina deste ano no Brasil inclui a proteção contra a H3N2.
A campanha nacional de vacinação contra a influenza já está em andamento, priorizando grupos mais vulneráveis como crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades. Trabalhadores da saúde, indígenas, professores e pessoas privadas de liberdade também fazem parte do público prioritário.
Além da gripe, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o VSR para gestantes, visando proteger os recém-nascidos contra a bronquiolite, uma infecção pulmonar que pode ser fatal. A Opas reforça que a vacinação é a ferramenta mais eficaz para prevenir internações e mortes.
Boletim Infogripe Confirma Tendência de Alta em Todo o País
O Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, corrobora as informações da Opas. Dados coletados entre 19 e 25 de abril indicam um aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados por Influenza A e VSR em todas as regiões do Brasil. Atualmente, 24 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta ou risco para a SRAG.
Em 2026, o Brasil já registrou mais de 46 mil casos de SRAG, com 44,3% confirmados por testes laboratoriais. Desses, 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por VSR. Nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos por influenza A subiu para 31,6% e por VSR atingiu 36,2%, evidenciando a circulação intensa desses vírus.
Higiene e Etiqueta Respiratória: Medidas Complementares Cruciais
A Opas também ressalta a importância da intensificação de ações de higiene e etiqueta respiratória. Lavar as mãos com frequência é apontado como a forma mais eficiente de reduzir a transmissão de vírus. Pessoas com febre devem evitar sair de casa e locais públicos até a melhora dos sintomas.
Da mesma forma, crianças em idade escolar com sintomas respiratórios ou febre devem permanecer em casa, sem frequentar a escola, para evitar a propagação dos vírus. A adoção dessas medidas simples, mas eficazes, é fundamental para o controle da disseminação e a proteção da saúde coletiva.