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quarta-feira, junho 3, 2026

Sururu nas Escolas de Maceió: Patrimônio Imaterial Alagoano Ganha Espaço no Cardápio Escolar com Impacto Social e Econômico

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Maceió Inova na Alimentação Escolar: Sururu, Patrimônio de Alagoas, Agora no Cardápio das Escolas Municipais

A Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed) deu um passo significativo na política de alimentação escolar, com o objetivo de incluir o sururu, um marisco com forte **identidade cultural alagoana**, no cardápio das escolas municipais. A iniciativa, que busca unir nutrição, valorização cultural e fomento à economia local, começou com uma formação para merendeiras e a implementação de um projeto-piloto.

Este projeto inovador visa não apenas oferecer uma refeição nutritiva e saborosa aos estudantes, mas também resgatar e fortalecer as tradições gastronômicas do estado, além de gerar renda para as comunidades que vivem da pesca e do marisco. A proposta é que o sururu, reconhecido como **Patrimônio Imaterial de Alagoas**, se torne um elemento permanente na merenda escolar.

A novidade foi divulgada pela Secretaria Municipal de Educação, que detalhou os planos para a introdução do marisco nas escolas. A iniciativa segue as diretrizes de segurança alimentar e nutricional, ao mesmo tempo em que promove a cultura local e apoia os produtores regionais. Conforme informação divulgada pela Semed, a compra será feita diretamente de cooperativas de marisqueiras.

Projeto-Piloto “Sururu na Escola” Começa com Capacitação de Merendeiras

Uma formação realizada na última sexta-feira (17) marcou o início oficial do projeto-piloto **“Sururu na escola: inclusão e nutrição”**. A capacitação reuniu merendeiras de cinco escolas municipais: Nosso Lar, Deraldo Campos, Rui Palmeira, Lindolfo Collor e Silvestre Péricles. O treinamento foi conduzido por Raquel Vieira, merendeira e gastróloga da Semed, na Escola Municipal Nosso Lar.

Durante a formação, foram apresentadas **quatro formas de preparo do sururu** para o cardápio escolar, pensadas para agradar a diversos paladares, incluindo os que experimentarão o marisco pela primeira vez. As opções incluem sururu frito, com legumes, em forma de moqueca e de macarronada. A intenção é diversificar o sabor, utilizando temperos como gengibre e pimenta de cheiro de forma a realçar o gosto sem causar ardência.

Introdução Gradual e Rigor na Qualidade e Segurança Alimentar

A previsão é que o sururu comece a ser servido no cardápio a partir de maio. A compra inicial, com recursos próprios da Semed, será de aproximadamente **280 quilos mensais** do produto, atendendo cerca de três mil alunos das cinco escolas participantes. Na primeira fase, o alimento será oferecido uma vez por mês.

A coordenadora-técnica de Nutrição e Segurança Alimentar da Semed, Ana Denise Cotrim, ressaltou que o projeto foi estruturado com base em **critérios rigorosos de qualidade e segurança alimentar**. “A proposta é avançar com responsabilidade, garantindo qualidade nutricional e respeito às normas sanitárias, ao mesmo tempo em que fortalecemos a economia local e valorizamos a cultura alimentar do nosso estado”, explicou.

Impacto Socioeconômico e Resgate da Cultura Regional

A inclusão do sururu na merenda escolar tem um **impacto socioeconômico significativo**. Antes do projeto, a Cooperativa de Marisqueiras Mulheres Guerreiras (Coopmaris), que fornecerá o produto, registrava uma comercialização mensal em torno de R$ 2,5 mil. Com a entrada das escolas, a estimativa é que esse valor alcance cerca de **R$ 13 mil mensais**, ampliando consideravelmente a renda das marisqueiras.

Roseneide dos Santos, merendeira da Escola Nosso Lar, destacou a importância de inserir o sururu, que faz parte da história de Alagoas, na merenda escolar. “Muitas famílias dos nossos alunos têm renda e o sustento através do sururu. Então, para eles comerem aqui na escola vai ser algo novo, uma experiência”, comentou. O farmacêutico Eduardo Peglow, que acompanhou algumas iniciativas da Semed, elogiou a experiência gastronômica e o **resgate da alimentação regional**, afirmando que “muitas vezes se perde essa questão da alimentação mais regional, mais cultural, e as crianças vão levar essa cultura de volta para suas famílias”.

Fortalecimento da Identidade Alagoana e Potencial de Expansão

Além do aspecto econômico, a proposta reforça a **identidade cultural alagoana** dentro do ambiente escolar, aproximando os estudantes de alimentos típicos da região. A iniciativa também segue as diretrizes da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos), do Ministério Público Federal, que visa viabilizar a compra de alimentos produzidos por comunidades tradicionais.

A expectativa da Semed é que, após a avaliação do projeto piloto, a iniciativa seja expandida para outras unidades da rede municipal, consolidando o sururu como um elemento **permanente na alimentação escolar de Maceió** e promovendo a educação alimentar baseada na realidade local. A compra direta das trabalhadoras locais, como as da Coopmaris, garante a sustentabilidade da cadeia produtiva e o justo retorno financeiro para as marisqueiras.

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