| Não fique refém dos algoritmos, nos siga no Telegram e fique atualizado com as últimas notícias. |
Estagiários do CEPE 2025 conheceram instalações e políticas que conectam poder marítimo e defesa nacional, com ênfase em formação, tecnologia e presença no mar
A visita dos estagiários do Curso de Política e Estratégia, CEPE 2025, da ADESG de Alagoas à Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco aproximou teoria e prática, ao permitir a observação direta do funcionamento de uma organização militar essencial à Marinha do Brasil.
Recebidos pelo Capitão de Fragata Gustavo Marne, comandante da escola, os participantes conheceram instalações, evolução histórica da instituição e a formação de turmas mistas, refletindo a ampliação da presença feminina nas Forças Armadas.
A atividade também aprofundou reflexões sobre o papel do mar como infraestrutura crítica e elemento central do poder nacional, conforme informação divulgada pela ADESG de Alagoas.
Organização, inclusão e formação de pessoal
A visita evidenciou o papel da Escola de Aprendizes-Marinheiros na qualificação de pessoal, com atenção à adaptação de estruturas para turmas mistas e ao desenvolvimento de competências técnicas e disciplinares necessárias à Marinha.
Observar a rotina, laboratórios e áreas de treinamento permitiu aos estagiários avaliar como a formação contribui para a capacidade de presença e resposta no mar, fatores essenciais à consolidação do poder marítimo e defesa nacional.
Poder marítimo, economia e vulnerabilidades
Na palestra, o Capitão de Fragata Gustavo Marne destacou que o ambiente marítimo deixou de ser apenas via de transporte para ser um espaço multifuncional que envolve comércio, energia, comunicações e projeção de poder.
Um dado ressaltado foi que mais de 90% do comércio internacional e grande parte do tráfego de dados globais dependem de rotas marítimas e cabos submarinos, o que transforma o mar em infraestrutura crítica e amplia a responsabilidade do Brasil como país costeiro.
Essa dependência torna urgente a integração entre políticas civis e militares para garantir segurança, resiliência e proteção contra ameaças híbridas que visam rotas e ativos marítimos.
Capacidade militar, DOAMEPI e visão de Estado
A construção da capacidade militar foi apresentada como um processo de longo prazo, que exige planejamento, continuidade e investimentos sustentados, não apenas a aquisição de equipamentos.
O conceito DOAMEPI, Doutrina, Organização, Adestramento, Material, Educação, Pessoal e Infraestrutura, foi indicado como base para o desenvolvimento efetivo do poder militar, mostrando a necessidade de integração entre múltiplos fatores para obtenção de capacidade de combate.
Também foi lembrado que certas capacidades estratégicas, como a construção naval militar e o desenvolvimento de submarinos, dependem de domínio tecnológico e de políticas públicas contínuas ao longo de décadas, reforçando que a defesa nacional deve ser pensada como política de Estado.
Amazônia Azul, soberania e ameaças contemporâneas
O debate sobre a Amazônia Azul ressaltou sua dimensão estratégica, com recursos naturais, rotas comerciais e ativos energéticos fundamentais ao país, exigindo monitoramento e presença constante para garantir soberania.
Foram apontadas ameaças que vão além do conflito convencional, incluindo pressões internacionais por recursos, vulnerabilidades logísticas e criminalidade transnacional, bem como desafios jurídicos e operacionais relacionados às 12 milhas territoriais e à Zona Econômica Exclusiva.
Os estagiários puderam assimilar a lição central de que a soberania no mar não é apenas um princípio jurídico, mas depende de capacidade efetiva de presença, monitoramento e dissuasão, elementos que exigem investimentos e planejamento estratégico.
Síntese para o CEPE 2025 e implicações estratégicas
A experiência prática na Escola de Aprendizes-Marinheiros permitiu consolidar conceitos trabalhados no curso e ampliar a percepção sobre a interdependência entre segurança, desenvolvimento tecnológico e infraestrutura.
Para os participantes do CEPE 2025, a visita reforçou a importância de pensar o Brasil de forma sistêmica, integrando diferentes políticas públicas para fortalecer o poder marítimo e defesa nacional, e preparar lideranças capazes de priorizar ações de longo prazo.
Ao término da atividade, ficou claro que garantir a presença e a proteção da faixa marítima brasileira passa por formação, planejamento e continuidade de políticas, tarefas que exigem articulação entre Estado, Forças Armadas e sociedade.