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Prevenção e promoção da saúde se tornam pilares para a sustentabilidade do sistema, afirma Wadih Damous da ANS
Em um cenário onde a saúde reativa e o tratamento de doenças consomem grande parte dos recursos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sinaliza a urgência de uma mudança cultural. O modelo atual, focado em curar após o surgimento dos problemas, é considerado por especialistas como oneroso e ineficiente. Grande parte dos gastos se concentra em complicações de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que poderiam ser evitadas ou tratadas com mais eficácia se diagnosticadas precocemente.
A visão da ANS é clara: a gestão da saúde precisa ser inteligente, migrando do pagamento por volume, que incentiva exames desnecessários, para a geração de valor. Isso significa priorizar linhas de cuidado planejadas e a prevenção, medidas que não só barateiam custos, mas principalmente preservam vidas e garantem melhor qualidade de vida.
Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, Wadih Damous, dirigente da ANS, destaca que, embora não possa afirmar que a prevenção e promoção da saúde sejam “inegociáveis” no âmbito regulatório, são, sem dúvida, **parâmetros imprescindíveis** para a sustentabilidade da saúde suplementar. Ele defende um amplo diálogo com operadoras, prestadoras de serviços, hospitais e clínicas para a construção desse novo modelo, acreditando que a demonstração de que essa abordagem reduz custos e garante lucratividade sensibilizará o setor.
Letramento em Saúde: Uma Ferramenta Poderosa para o Cidadão
O letramento em saúde é apresentado como uma política pública fundamental, capitaneada pelo Ministério da Saúde e reverberada pela ANS. Essa iniciativa visa convencer os mais de 53 milhões de usuários de planos de saúde no Brasil sobre a importância da prevenção. O objetivo é esclarecer a necessidade de exames periódicos, consultas médicas regulares, prática de exercícios físicos e adesão a uma alimentação saudável.
A meta é que as pessoas compreendam que a prevenção é a chave para uma vida longa e com qualidade, e não apenas a busca por soluções quando a doença já se instalou. A ANS planeja organizar um projeto para integrar as operadoras nessa campanha, tornando-a atraente e parte integrante do sistema de saúde suplementar, agindo como um sistema coeso, assim como o SUS.
Combate ao Câncer: Um Avanço na Legislação e na Conscientização
A recente sanção de uma lei que obriga empresas a fornecerem informações sobre campanhas de vacinação contra o HPV e sobre cânceres de mama, colo do útero e próstata representa um avanço significativo. A ANS já autoriza tratamentos imunoterápicos para algumas modalidades de câncer e prevê a incorporação de mais tipos ao seu rol de procedimentos. A agência monitorará o impacto regulatório e na sustentabilidade do sistema.
O câncer tem crescido em proporções epidêmicas no Brasil, superando doenças cardiovasculares em muitas cidades. A previsão é que até 2029 o câncer lidere o ranking de doenças no país. A atuação conjunta entre saúde suplementar e saúde pública é crucial no combate a essa realidade. A falta de diagnóstico precoce e o atendimento tardio contribuem para o avanço da doença, quando muitos tumores poderiam ser evitados ou ter sua letalidade mitigada com detecção e tratamento a tempo.
Saúde Mental e Jornada de Trabalho: Um Debate Necessário
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o aumento epidemiológico de casos de saúde mental e Burnout em todo o mundo, gerando episódios de suicídio e depressão profunda. A ANS apoia integralmente a proposta do fim da escala 6×1, argumentando que a jornada de trabalho excessiva compromete o tempo de lazer, o convívio familiar e a instrução cultural e educacional, impactando diretamente a saúde mental.
A deterioração da saúde mental pode levar à consolidação de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade. Portanto, este é um debate fundamental e atualíssimo, que deve ser tratado com toda a atenção, reconhecendo-o como uma questão de saúde pública na qual a saúde suplementar não pode se manter alheia.