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quarta-feira, junho 3, 2026

Obesidade: Nova Diretriz da Abeso Desaconselha Remédios Isolados e Prioriza Mudança de Estilo de Vida

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Diretriz da Abeso Contraindica Tratamento Farmacológico Isolado para Obesidade, Focando em Abordagem Multidisciplinar

A obesidade é uma doença crônica complexa que exige um tratamento abrangente. Pensando nisso, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) lançou uma nova diretriz que redefine as estratégias de cuidado. A principal mudança é a orientação clara contra o uso de medicamentos para obesidade de forma isolada.

Em vez disso, a diretriz enfatiza a **necessidade de associar o tratamento farmacológico a mudanças significativas no estilo de vida**. Isso inclui aconselhamento nutricional personalizado e um forte estímulo à prática regular de atividades físicas. Essa abordagem integrada visa resultados mais duradouros e um impacto positivo na saúde geral do paciente.

O documento, que reúne 32 recomendações baseadas em evidências científicas, foi elaborado por um grupo multidisciplinar de especialistas, incluindo endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas. Conforme informação divulgada pela Abeso, a nova diretriz transforma avanços científicos em orientações práticas, oferecendo mais subsídios para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes com obesidade.

Critérios para Indicação de Medicamentos na Obesidade

A diretriz estabelece critérios específicos para a indicação de medicamentos no tratamento da obesidade. Geralmente, o tratamento farmacológico é considerado para indivíduos com **Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m²**. Outro critério importante é um IMC igual ou superior a 27 kg/m² em pessoas que já apresentam complicações de saúde relacionadas ao excesso de gordura corporal.

O cálculo do IMC pode ser facilmente realizado no site da própria associação. Em situações médicas específicas, a diretriz admite a consideração do tratamento farmacológico mesmo que o IMC não atinja os níveis mencionados. Isso pode ocorrer quando há um aumento da circunferência da cintura ou da relação cintura-altura, associado a outras complicações de saúde.

Abordagem Individualizada e Cenários Específicos

O presidente da Abeso, Fábio Trujilho, destacou que o médico agora lida com um cenário terapêutico mais amplo, exigindo avaliações cada vez mais individualizadas. A nova diretriz busca aproximar a recomendação científica das perguntas reais do consultório médico.

O documento traz direcionamentos importantes para diversos cenários clínicos. Isso inclui orientações sobre o manejo da obesidade em pacientes com risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono, e também aborda a perda de massa magra e muscular associada à obesidade.

Alertas Contra o Uso Inadequado de Substâncias

As novas diretrizes reforçam importantes alertas sobre quando um medicamento **não é indicado** para o tratamento da obesidade. A Abeso chama a atenção para o uso de substâncias sem evidências robustas de eficácia e segurança comprovadas em ensaios clínicos.

O documento desaconselha o uso de fórmulas magistrais e produtos manipulados que contenham substâncias como diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG) para o tratamento da obesidade, devido à falta de comprovação científica de sua eficácia e segurança.

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