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O Instituto Nacional de Câncer (INCA) deu um passo importante na luta contra o câncer de pulmão, anunciando um novo estudo que visa aprimorar o rastreamento e o tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa, liderada pelo médico epidemiologista Arn Migowski, tem como objetivo principal a detecção precoce do câncer de pulmão, antes mesmo do surgimento de sintomas, e o incentivo à cessação do tabagismo.
A iniciativa busca avaliar a eficácia de um novo protocolo de rastreamento em um cenário real, o do SUS. A ideia é testar a viabilidade e a adesão ao programa, para, se os resultados forem positivos, expandir a estratégia para todo o país. A parceria público-privada é vista como fundamental para o fortalecimento do SUS nesta e em outras frentes de combate a doenças complexas.
O câncer de pulmão é uma das doenças que mais causam mortes no Brasil. Em 2024, foram registradas 32.465 mortes pela doença, superando a soma de óbitos por câncer de próstata e mama. A principal causa para essa alta taxa de mortalidade é o diagnóstico tardio, com cerca de 84% dos casos sendo identificados em estágios avançados, o que compromete significativamente as chances de cura. Essa informação foi divulgada pelo INCA.
Critérios de Elegibilidade e Abordagem do Estudo
Para participar do estudo, os pacientes precisam atender a critérios específicos de elegibilidade, definidos com base em recomendações de sociedades médicas renomadas. O consenso médico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem estabelece que o rastreamento, realizado por Tomografia Computadorizada de Baixa Dose (TCBD), é recomendado para indivíduos entre 50 e 80 anos.
Além da faixa etária, é necessário ser fumante ou ex-fumante que tenha parado de fumar nos últimos 15 anos. Outro critério importante é o histórico de consumo, com pelo menos 20 cigarros por dia, todos os dias, durante um período de 20 anos. Esses critérios visam identificar o grupo com maior risco para a doença.
Tratamento e Acompanhamento no SUS
Em caso de diagnóstico positivo para câncer de pulmão durante o estudo, os pacientes serão encaminhados para acompanhamento e tratamento no Hospital do Câncer I (HC I). Esta unidade do INCA é um centro de referência em oncologia no Rio de Janeiro e integra a rede de alta complexidade do SUS, garantindo acesso a tratamento especializado e de qualidade, de acordo com informações divulgadas pelo INCA.
O médico epidemiologista do INCA, Arn Migowski, ressaltou a importância de detectar o câncer de pulmão o mais cedo possível, antes mesmo que os sintomas se manifestem. A proposta é integrar a detecção precoce com o apoio à cessação do tabagismo, abordando a doença de forma completa e preventiva.
Parcerias e o Desafio dos Novos Dispositivos Eletrônicos
A parceria entre o setor público e o privado é vista como essencial para o sucesso de iniciativas como esta. Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca, destacou que a colaboração entre empresas como a sua e o SUS pode expandir o alcance da pesquisa e do tratamento. A empresa, que atua na área de câncer de pulmão, busca ir além da oferta de medicamentos, visando transformar a história da doença no Brasil.
Um desafio recente no combate ao tabagismo foi apontado por Gustavo Prado, presidente da Aliança Brasileira de Combate ao Câncer de Pulmão. Ele alertou para o aumento na prevalência do tabagismo, especialmente entre jovens de 18 a 24 anos, impulsionado pela introdução de dispositivos eletrônicos, como os vapes. Prado enfatizou a necessidade de intensificar as estratégias de prevenção e de utilizar uma linguagem que alcance efetivamente essa faixa etária.
O Impacto do Câncer de Pulmão no Brasil
Os dados sobre o câncer de pulmão no Brasil são alarmantes. Conforme o Atlas de Mortalidade do INCA, em 2024, a doença foi responsável por 32.465 óbitos, um número expressivo que ultrapassa a soma das mortes por câncer de próstata (17.826) e de mama (20.849) no mesmo período. As estimativas do INCA indicam que o país enfrentará cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente entre 2026 e 2028, consolidando a doença como um dos maiores desafios de saúde pública nacional.
A alta taxa de mortalidade está intrinsecamente ligada ao diagnóstico tardio. Apenas cerca de 16% dos casos são detectados em estágios iniciais, o que resulta em uma taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 5,2%. Este novo estudo do INCA representa uma esperança para reverter esse cenário, promovendo a detecção precoce e um tratamento mais eficaz para os pacientes com câncer de pulmão no Brasil.