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quarta-feira, junho 3, 2026

Dengue é o Primeiro Grande Desafio da Nova Coalizão Global de Saúde Liderada pelo Brasil no G20

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Combate à dengue assume protagonismo global como primeiro foco da recém-formada Coalizão Global para Produção Local e Regional de Saúde, lançada sob a presidência brasileira do G20 em 2024.

A missão da coalizão é ambiciosa: promover o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde em todo o mundo. Um olhar atento é direcionado aos países em desenvolvimento, que historicamente enfrentam maiores barreiras na produção e inovação.

A escolha da dengue como eixo prioritário de ações foi justificada pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, devido à natureza endêmica da doença em mais de 100 países, que ameaça a saúde de mais da metade da população mundial. As estimativas apontam para um cenário alarmante de 100 a 400 milhões de infecções anualmente.

Essa expansão da dengue está diretamente ligada às mudanças climáticas, que elevam temperaturas, alteram padrões de chuva e aumentam a umidade, criando condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença. Outras arboviroses, como zika, chikungunya e febre oropouche, também se beneficiam dessas condições climáticas.

Parcerias estratégicas impulsionam o combate à dengue

O ministro Padilha destacou como exemplo de cooperação internacional a parceria para a vacina contra a dengue Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Um acordo com a empresa chinesa WuXi, firmado no final do ano passado, visa expandir a capacidade de produção para cerca de 30 milhões de doses a serem entregues no segundo semestre de 2026.

“Acreditamos e nos movemos por um mundo com menos guerra, menos bomba, menos mortes de crianças, civis e profissionais de saúde. Pelo contrário, com mais vacinas e medicamentos acessíveis”, declarou o ministro, reforçando o compromisso da coalizão com a saúde e o bem-estar global.

Fiocruz lidera o secretariado executivo e aposta em transferência tecnológica

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assumirá o secretariado executivo da coalizão, utilizando sua vasta experiência internacional para alcançar os objetivos propostos. Mario Moreira, presidente da Fiocruz, ressaltou a importância da cooperação estruturante com outros países, especialmente na África e América Latina.

“Temos elaborado projetos junto a outros países, sobretudo da África e da América Latina, na perspectiva da cooperação estruturante, formando competência local, científica, tecnológica e alguns casos também industrial”, afirmou Moreira, evidenciando o foco no desenvolvimento de capacidades locais.

Brasil avança na produção nacional de medicamentos e vacinas de ponta

Em paralelo à iniciativa global, o Ministério da Saúde anunciou a produção 100% nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo. A transferência tecnológica, realizada em parceria com a Índia, garantirá o fornecimento do medicamento essencial para pacientes transplantados, que hoje dependem de importações e arcam com custos elevados.

“Cerca de 120 mil brasileiros recebem hoje o Tacrolimo pelo SUS, um medicamento que custa de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês. Uma pessoa transplantada vai tomar essa medicação ao longo de toda a vida”, explicou o ministro, destacando a relevância econômica e estratégica da produção nacional.

Com a produção local, o Brasil garante a segurança no fornecimento do tratamento, independentemente de crises globais como conflitos ou pandemias. A produção local está totalmente garantida por fundações públicas, assegurando o acesso contínuo aos pacientes.

Nova plataforma para vacinas de RNA mensageiro é instalada em Minas Gerais

Outro avanço significativo é a instalação de um novo centro de competência para a produção de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa tecnologia, que utiliza o código genético do patógeno para instruir o corpo a produzir anticorpos, representa um salto na capacidade de resposta a doenças.

O Brasil já conta com duas plataformas de mRNA em desenvolvimento, uma na Fiocruz e outra no Instituto Butantan, com investimentos federais expressivos. O novo centro na UFMG receberá mais R$ 65 milhões, totalizando um investimento robusto no desenvolvimento dessa tecnologia de ponta.

“O Brasil passa a ter três instituições públicas produzindo vacinas de RNA mensageiro, o que permitirá não apenas absorver e desenvolver tecnologias para outras doenças, mas também estar preparado para responder rapidamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus”, concluiu Padilha, reforçando a importância estratégica para a saúde pública brasileira e global.

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