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Doenças renais são um problema de saúde pública global, exigindo atenção e prevenção.
Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a doença renal ao status de prioridade mundial em saúde pública. Essa decisão insere a doença renal crônica (DRC) no mesmo patamar de outras doenças crônicas não transmissíveis de grande impacto, como as cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, reforçando a necessidade de ações urgentes.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) vê esse reconhecimento como um divisor de águas, ampliando a visibilidade da DRC internacionalmente e impulsionando a demanda por investimentos em educação, prevenção, diagnóstico rápido e tratamento eficaz. Em alusão ao Dia Mundial do Rim, a entidade também destaca a influência de fatores ambientais no desenvolvimento de doenças renais ao longo da vida, um aspecto crucial para a saúde pública.
“Esse tema amplia o olhar para além do tratamento, estimulando ações que promovam práticas sustentáveis no cuidado renal e reduzam impactos ecológicos, especialmente em serviços de saúde. Sustentabilidade, nesse contexto, significa também prevenção qualificada e redução de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida”, ressalta a SBN.
Conforme Geraldo Freitas, médico nefrologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), os rins desempenham funções vitais para o organismo. Eles são responsáveis por manter o metabolismo em equilíbrio, filtrar o sangue e eliminar toxinas através da urina.
“Além disso, eles controlam nosso equilíbrio de eletrólitos ou sais do corpo, portanto, eles mantêm sódio, potássio, cálcio, tudo equilibrado pra que a gente mantenha todo o funcionamento dos outros sintomas”, explica o especialista. “Eles também produzem alguns hormônios relacionados ao controle de pressão”, acrescenta.
Fatores de Risco e a Natureza Silenciosa das Doenças Renais
O médico alerta que diversas condições podem comprometer seriamente a função renal, levando até à sua paralisação. Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças renais, destacam-se condições como diabetes e hipertensão arterial, que, quando não controladas, causam danos significativos aos rins ao longo do tempo.
“Alguns medicamentos também podem ser nefrotóxicos e causarem a perda da função renal ao longo do tempo. Os mais relacionados com isso são os anti-inflamatórios não hormonais, que devem ser evitados de maneira geral. No caso de pacientes com doenças em que o uso é obrigatório, isso deve ser monitorado”, adverte Freitas.
Um dos maiores desafios no combate às doenças renais é a sua natureza silenciosa. Muitas vezes, as enfermidades renais progridem sem apresentar sintomas claros, levando os pacientes a procurarem ajuda médica apenas quando a perda da função renal já é considerável. É comum, segundo o nefrologista, que pacientes cheguem ao consultório com danos já avançados.
A Importância do Rastreamento e Identificação de Sinais
Diante desse cenário, a identificação precoce de sinais de alerta e a realização de exames de rotina são fundamentais para a prevenção e o manejo das doenças renais. O rastreamento da função renal pode ser feito com exames básicos e acessíveis.
“É importante fazer os exames para rastreio das funções renais, que são basicamente a creatinina e um exame de urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. Com esses exames básicos, já é possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início”, detalha o médico.
Além disso, o acompanhamento de condições como pressão arterial, níveis de glicemia e hemoglobina glicada é essencial, especialmente para indivíduos com histórico de diabetes ou predisposição a essa condição. Esses exames ajudam a monitorar a saúde renal de forma preventiva.
Quando Procurar Ajuda Médica Para Sua Saúde Renal
O especialista enfatiza que estar atento a certos sintomas pode ser crucial para buscar ajuda médica a tempo. Embora as doenças renais sejam frequentemente silenciosas, alguns sinais podem indicar que algo não vai bem com a saúde dos rins.
Entre os principais sintomas que demandam atenção médica imediata, o nefrologista Geraldo Freitas cita: inchaço nas pernas, tornozelos e pés, fadiga e fraqueza incomuns, alterações na frequência urinária, como urinar mais ou menos que o normal, e a presença de espuma na urina.
Outros sinais de alerta incluem dificuldade para dormir, cãibras musculares frequentes, pele seca e com coceira, náuseas e vômitos persistentes, e perda de apetite. A presença de sangue na urina ou uma coloração mais escura também deve ser investigada.