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Sereias Alagoanas: Um mar de inspiração para o Brasil, celebrando 70 mulheres que encantam e transformam a sociedade
Em Alagoas, a figura lendária da sereia ganha contornos reais e poderosos. Longe do imaginário mítico, 70 mulheres alagoanas se destacam por suas contribuições inestimáveis à sociedade, tecendo uma rica tapeçaria de arte, ciência, ativismo e preservação cultural. A obra “Sereias Alagoanas – Histórias de mulheres que encantam” reúne essas trajetórias, revelando a força e a diversidade de personalidades que, muitas vezes anônimas, deixam marcas profundas no estado.
Idealizado pela professora Adriana Capretz, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o livro é um convite a conhecer a fundo a essência dessas mulheres. Elas são apresentadas não apenas por seus feitos, mas também pela metáfora da sereia, que pode simbolizar a liberdade feminina, as transformações corporais e o caminho para o novo. A iniciativa, que já teve um pré-lançamento especial para as homenageadas, visa dar visibilidade a quem constrói o presente e o futuro de Alagoas.
O projeto, voltado para o público infanto-juvenil e realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, busca inspirar novas gerações, conectando-as com referências locais. “A grande maioria são mulheres anônimas na sociedade, apesar de tanta importância que elas têm para suas comunidades e além das comunidades”, ressalta Capretz, destacando a receptividade e o orgulho das homenageadas em fazerem parte desta obra que celebra as “sereias” de Alagoas. Conforme informação divulgada pela Ufal, o livro é um marco na valorização do patrimônio imaterial e humano do estado.
Pioneiras, cientistas e guardiãs da cultura: um mosaico de talentos alagoanos
Com 200 páginas ricamente ilustradas por artistas alagoanos, “Sereias Alagoanas” desvenda 70 vidas dedicadas à defesa de grupos marginalizados, à preservação ambiental e à luta por justiça social. As histórias são organizadas em categorias que evidenciam legados e inspiram novas ações, como pioneiras, jovens, guardiãs da cultura popular, mestras de folguedos, artesãs, protetoras do meio ambiente, cientistas, artistas e políticas.
Nomes de projeção nacional, como a jogadora Marta e a psiquiatra Nise da Silveira, dividem espaço com líderes comunitárias, mestras e ativistas locais. A professora Adriana Capretz, vinculada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Ufal e criadora do Tatipirun Educacional, expressa sua satisfação em reunir mulheres que admira e em cujos trabalhos acredita. “É um trabalho que fala bastante de mim através dessas mulheres, porque a minha escolha é de mulheres que eu acredito”, afirma.
Inspiração que cruza mares: o reconhecimento de talentos alagoanos
A obra também destaca alagoanas que, mesmo trilhando caminhos em outros estados ou países, sentem o chamado de suas origens. A professora Lúcia Previato, reconhecida internacionalmente por sua pesquisa na prevenção da doença de Chagas e agraciada com prêmios como o L’Óreal Unesco para Mulheres na Ciência, é um exemplo. Sua inclusão no livro, como filha da terra, gerou profunda emoção, evidenciando a importância do reconhecimento local para talentos que transcendem fronteiras. “Alagoas nunca citou essa mulher, e ela está entre as maiores pessoas do mundo”, comentou Capretz, feliz em reunir o que há de mais encantador no estado.
Um legado para as futuras gerações e o cumprimento de leis educacionais
A publicação chega em um momento oportuno, alinhada ao contexto legislativo e educacional que busca dar mais protagonismo às mulheres. Com a recente vigência da Lei nº 14.986/2024, que determina a inclusão obrigatória das contribuições femininas nas ciências, artes, política e sociedade nos currículos da educação básica, o livro se torna um valioso material didático. Adriana Capretz, motivada pela necessidade de conectar os estudantes com referências locais, em detrimento de figuras distantes culturalmente, como Malala, espera que a obra sirva para apresentar às crianças e jovens “o quanto de mulher incrível que a gente tem aqui”.
Além disso, “Sereias Alagoanas” pode auxiliar as escolas no cumprimento da Lei nº 14.164/21, que trata da prevenção da violência contra a mulher. A pesquisadora enfatiza a importância de um estudo que valorize identidades e histórias locais, evitando a reprodução de visões coloniais e promovendo a inspiração mútua entre meninos e meninas e as “pratas da casa”.
A Ufal no coração do projeto: ilustrações e homenagens que fortalecem a identidade alagoana
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) desempenha um papel fundamental na materialização deste projeto, que nasceu como extensão e culmina na publicação do livro. A maior parte das ilustrações que dão vida às histórias das sereias alagoanas foi criada por alunos e ex-alunos dos cursos de Arquitetura e Design da Ufal. Daniel Albert, programador visual da Assessoria de Comunicação da Ufal e ex-aluno de Capretz, que ilustrou Dona Percina, mestra de bolos de Riacho Doce, destaca a riqueza cultural de Alagoas. “Nossa região tem tantas histórias para contar, tanta cultura, saberes e arte”, ressalta.
Figuras importantes ligadas à Ufal também foram homenageadas, como Ângela Maria Bahia Brito, Rosângela Lyra e Zélia Maia Nobre, que impulsionou o interesse de Adriana Capretz pelos estudos de educação patrimonial em Alagoas. A obra é, portanto, um presente encantador para o estado, reunindo o que há de mais valioso em sua gente e em sua cultura, com a marca indelével da Universidade Federal de Alagoas.
O livro terá lançamentos em diversas datas e locais em Alagoas, incluindo a Livraria Leitura Parque Shopping, a Biblioteca Graciliano Ramos e o NEES UFAL no Campus A. C. Simões, em Maceió.