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quarta-feira, junho 3, 2026

Carta de Maceió: Nordeste une forças contra Crise Climática e Desertificação, com foco na Caatinga e candidatura à COP 18

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Nordeste coloca crise climática e combate à desertificação no centro da agenda com a Carta de Maceió

A crise climática e o combate à desertificação e à degradação ambiental foram os temas centrais da Carta de Maceió, documento divulgado após a primeira Assembleia Geral do Consórcio Nordeste em 2026, na capital alagoana. A reunião foi coordenada pelo governador Paulo Dantas, que assumiu a presidência da instituição.

No documento, os governadores da região reafirmaram o compromisso com o enfrentamento à desertificação e à degradação ambiental, pauta considerada estratégica não apenas para o Nordeste, mas para todo o planeta.

A Carta de Maceió destaca a proteção da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, reconhecendo sua importância ambiental, cultural, econômica e científica. A iniciativa visa fortalecer a cooperação global e projetar internacionalmente a agenda do semiárido.

Conforme divulgado pelo Governo de Alagoas, os governadores manifestaram o apoio à candidatura do Brasil para sediar a COP 18 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação em 2028, com o Nordeste como sede. Essa iniciativa busca fortalecer a agenda do semiárido e a cooperação internacional no combate à desertificação.

Combate à desertificação exige políticas integradas e financiamento climático

O enfrentamento à desertificação, segundo a Carta de Maceió, requer políticas integradas que envolvam pesquisa científica, investimento em biotecnologia, valorização da bioeconomia, inovação produtiva e o reconhecimento dos saberes tradicionais. Essas ações devem estar articuladas a estratégias de financiamento climático e cooperação internacional.

O documento ressalta que o Nordeste se posiciona não apenas como um território vulnerável, mas como um território de soluções, capaz de contribuir ativamente para os desafios ambientais contemporâneos.

Alerta sobre a estiagem e necessidade de gestão de crise

O Consórcio Nordeste alertou para o agravamento da crise climática, evidenciado pela estiagem prolongada que afeta diversas regiões dos estados nordestinos. Os impactos diretos incluem o abastecimento de água, a produção agrícola, a segurança alimentar e a vida das populações mais vulneráveis.

O Comitê Científico de Monitoramento e Enfrentamento das Mudanças Climáticas, em articulação com as Câmaras Temáticas do Consórcio, está mobilizado para produzir diagnósticos, cenários e recomendações diante desse cenário.

Os governadores reiteraram a necessidade de uma gestão de crise efetiva, coordenada e federativa, que articule União, estados e municípios com base científica, capacidade de resposta rápida e garantia de proteção social. Para isso, propõem uma reunião específica com o Governo Federal.

Outras prioridades: infraestrutura, economia criativa e financiamento

A Carta de Maceió também abordou outras prioridades para o desenvolvimento regional. Entre elas, a implantação de um trem de cargas e passageiros, a modernização das malhas rodoviária e aérea e a ampliação da conectividade digital são consideradas essenciais para a integração territorial e a competitividade regional.

Foi anunciado o lançamento do Nordeste Criativo, iniciativa alinhada à Política Nacional de Economia Criativa, que visa reconhecer a cultura e a diversidade simbólica da região como vetores de desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda.

O posicionamento do Consórcio Nordeste em defesa da metodologia proposta pela Aneel para o rateio dos recursos da repactuação do Uso de Bem Público, que distribui R$ 8,8 bilhões, também foi destacado. A proposta beneficia consumidores residenciais de baixa tensão e menor renda, majoritários no Nordeste.

Por fim, a Chamada Nordeste foi ressaltada como instrumento estratégico de indução ao desenvolvimento produtivo regional, com R$ 113 bilhões em propostas aprovadas, evidenciando o potencial econômico da região. A democratização do acesso ao financiamento foi defendida como condição para fortalecer a indústria, ampliar a inovação e gerar empregos de qualidade.

A superação das desigualdades regionais é vista como indispensável para o desenvolvimento nacional e o aprofundamento da democracia, com o Consórcio Nordeste sendo reconhecido como uma relevante inovação institucional que demonstra a eficácia da cooperação entre estados.

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