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Com apoio técnico, microcrédito e associações, a carcinicultura no interior de Alagoas cresce, com capacitação do Sebrae, FAO e investimentos do Banco do Nordeste
No Agreste alagoano, a criação de camarão tem alterado a rotina econômica de cidades do interior, com ganhos rápidos e alto potencial de retorno.
Produtores relatam ciclos de produção de cerca de três meses, o que garante receitas constantes e novas oportunidades para famílias rurais.
Os números e relatos de campo mostram avanços em organização, técnica e financiamento, com impactos na renda local e na diversificação da Economia do Mar, conforme informação divulgada pelo Sebrae Alagoas, pelo estudo “Economia do Mar em Alagoas”, da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), e por dados do Banco do Nordeste.
Arapiraca, produção e escala
A cidade de Arapiraca, no Agreste, vem se destacando mesmo estando longe do litoral. Segundo o Sebrae Alagoas, “o último ciclo produtivo resultou na produção de 230 toneladas de camarão, movimentando R$ 5,3 milhões na economia.”
O estudo “Economia do Mar em Alagoas”, da FIEA, aponta que “Arapiraca, segundo o estudo, supera a capital alagoana, com 5 empresas ativas na cidade e 13 estabelecimentos que criam camarões em água salgada no estado de Alagoas.”
O levantamento também mostra que “a criação de camarões em Alagoas tem apresentado crescimento entre os anos de 2019 e 2024, com seu maior avanço registrado entre 2019 e 2020, quando houve um aumento de 34%. O ápice da produção ocorreu em 2024, com mais de 1,9 milhão de quilos de camarão cultivados.” Esses dados ressaltam a dimensão da atividade no estado.
Pioneirismo, experiência local e associação
O empresário que iniciou a produção na região conta histórias do início e das dúvidas da comunidade. Como disse Yuri Amorim, ao recordar o começo, “Até minha mãe dizia: o que um engenheiro de pesca faz em Arapiraca, que nem água tem?”
O sucesso das experiências iniciais levou à formação de uma rede, hoje representada pela Associação dos Criadores de Camarão de Alagoas, que conta com 200 membros. Segundo Iury, presidente da associação e consultor do Sebrae, “É uma cultura que veio para salvar o sertanejo. A gente pega um camarão do Pacífico, cria com baixa salinidade no interior do Nordeste e consegue produzir o ano inteiro”.
Iury relata que os primeiros tanques escavados trouxeram erros e acertos que serviram de aprendizagem, e que o acompanhamento técnico tem ajudado a organizar rotinas e elevar eficiência, “o plano de ação que recebi está ajudando bastante. Agora é seguir e implantar tudo”.
Capacitação, microcrédito e políticas públicas
O Sebrae Alagoas, em parceria com a FAO e o Ministério da Pesca, tem realizado diagnóstico e acompanhamento técnico a produtores do Agreste, por meio do Programa de Cooperação Técnica, incluindo 20 produtores no povoado Poção e 100 propriedades em diagnósticos entre criadouros de camarão e peixe.
O Banco do Nordeste financia projetos ligados à Economia do Mar, e, segundo seus dados, “somente em 2024 foram contratados cerca de R$ 40 milhões em mais de três mil operações de crédito voltadas para atividades relacionadas à economia do mar, incluindo pesca, aquicultura, carcinicultura, turismo e serviços. Em 2025, de janeiro a outubro, os números se mantêm em patamar semelhante, com R$ 38 milhões financiados em mais de três mil contratos.”
Programas como Agroamigo e Crediamigo atendem desde a compra de alevinos até melhorias em tanques, e iniciativas locais unem crédito, capacitação e articulação institucional para ampliar o alcance da cadeia produtiva.
Impacto econômico e social
Para o diretor-presidente do Sebrae Alagoas, Domício Silva, a criação de camarão traz novas perspectivas a pequenos produtores. Ele afirma, “É muito positivo conhecer de perto uma realidade que vem mudando a vida das famílias desta região. A criação de camarão surge como uma alternativa para áreas onde a água antes era improdutiva. Isso é inovação pura.”
O economista Fábio Leão avalia que a aquicultura ajuda a diversificar a Economia do Mar e reduzir a dependência do turismo de sol e mar. Como disse Leão, “A aquicultura e a piscicultura marinha têm alto potencial de retorno e permitem produção contínua ao longo do ano, o que é estratégico para economias locais mais resilientes.”
Leão acrescenta que a transformação será duradoura quando vier acompanhada de inclusão social, qualificação técnica e educação, “O grande divisor de águas da Economia do Mar é a educação. Sem ela, o território fica preso ao extrativismo de baixo valor. Com educação e capacitação, a lógica muda, a comunidade deixa de apenas pescar para dominar a ciência do mar, investir em aquicultura sustentável de alto rendimento e inovar. É isso que transforma crescimento econômico em desenvolvimento social de verdade”.
Os relatos, números e iniciativas mostram que a produção de camarão no Agreste não é apenas uma atividade agrícola inusitada, mas uma estratégia de desenvolvimento regional, que combina técnica, crédito e organização para gerar renda e transformar paisagens econômicas.