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quarta-feira, junho 3, 2026

Doenças cardiovasculares em mulheres são a principal causa de morte, Assembleia debate prevenção, leis e inclusão da avaliação cardiocirculatória no pré-natal

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Assembleia realiza sessão sobre doenças cardiovasculares em mulheres, destacando prevenção, redes de apoio, projetos de lei e a necessidade de atenção especial no período gestacional

Uma sessão especial realizada na Assembleia na segunda-feira, 01, reuniu parlamentares, cardiologistas e representantes de entidades para debater as doenças cardiovasculares em mulheres como principal causa de morte no Brasil e no mundo.

O encontro teve como objetivo conscientizar sobre fatores de risco, promover políticas públicas de prevenção e apresentar propostas legislativas que visam proteger o coração da mulher alagoana.

Entre os pontos centrais estiveram a criação de campanhas educativas, a integração da avaliação cardiocirculatória ao pré-natal e a organização da saúde em redes de apoio.

conforme informação divulgada pela Assembleia

Inspiração pessoal e projetos de lei da deputada Rose Davino

A sessão foi proposta pela deputada Rose Davino, que relatou ter sido motivada por uma experiência pessoal, e defendeu ações concretas voltadas à prevenção. A deputada afirmou, “A fonte de inspiração, o meu infarto, me levou a tudo isso. Eu estava em pleno processo eleitoral e eu tinha muitos sintomas. Como eu sou muito alérgica, achava que a falta de ar era a questão da respiração, mas já era um sintoma do infarto”.

Davino é autora de dois projetos de lei apresentados na Assembleia, um que institui a Semana Alagoana de Conscientização sobre as Doenças Cardiovasculares na Mulher, com campanhas educativas e palestras, e outro que propõe que a avaliação cardiocirculatória passe a integrar o protocolo do pré-natal na rede pública. Para a deputada, a gestação é um período de grande esforço para o sistema cardiovascular e pode revelar doenças silenciosas, colocando em risco a vida da mãe e do bebê.

Desconhecimento e fatores de risco, alerta da UFAL

A professora titular de Cardiologia da Universidade Federal de Alagoas, doutora Alaíde Mendonça Rivera, chamou atenção para o desconhecimento generalizado sobre o tema e para a necessidade de prevenir fatores como hipertensão, diabetes e colesterol elevado. Ela disse, “Se você não sabe que a doença cardiovascular, no caso das mulheres, é a sua principal causa de morte e você não cuida de prevenir, então você não valoriza, por exemplo, a hipertensão, diabetes e o colesterol elevado, que são três dos principais inimigos”.

A médica ainda ressaltou a perda da proteção hormonal na menopausa, e lembrou, “Com uma expectativa de vida que se aproxima dos 80 anos e considerando que a menopausa ocorre por volta dos 55 anos, a mulher pode viver cerca de 35 anos (quase metade de sua vida) sem a proteção do estrógeno, um hormônio com efeitos cardioprotetores. Esta constatação reforça a necessidade de cuidados específicos e contínuos em cada etapa”.

Papel do Legislativo e mudança no perfil epidemiológico

O deputado Doutor Wanderley, que também é cardiologista, destacou a importância do Legislativo em escutar técnicos e a população para ajudar na formulação de políticas públicas voltadas à prevenção. Ele afirmou, “Esta sessão é de fundamental importância. Temos que escutar as pessoas, os técnicos, as pessoas simples também, para que a gente possa ajudar o governo a formular políticas públicas que possam promover saúde. Sobretudo, fundamentalmente, na área de prevenção”.

Sobre a mudança no perfil epidemiológico, o parlamentar relacionou parte do aumento das doenças ao novo papel feminino na sociedade, e disse, “Quarenta, cinquenta anos atrás, as mulheres ficavam em casa, tinham a alimentação adequada. Mas as mulheres hoje têm outro papel. Elas também saem para a rua e começaram a se expor aos mesmos riscos que os homens. Então hoje a doença cardiovascular é democrática, entre aspas. Ela atinge o homem e atinge a mulher e a gente não pode negligenciá-la”.

Próximos passos, comunicação e ações de prevenção

Os debatedores defenderam maior investimento em campanhas de educação, rastreamento de fatores de risco e a criação de redes de atenção que facilitem o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. A sessão reforçou a necessidade de políticas que alcancem mulheres em diferentes fases da vida, com ênfase em gestantes e em mulheres na pós-menopausa.

Participaram da mesa de honra a presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia em Alagoas, doutora Roberta Nolasco, a representante da Funbrasil, Camila Davino, e o médico cardiologista Marcelo Malta, que contribuíram com avaliações técnicas e apoio às propostas legislativas.

O encontro reforçou que, para enfrentar as doenças cardiovasculares em mulheres, é preciso combinar informação, prevenção, protocolos clínicos específicos e políticas públicas coordenadas, com atenção especial à detecção precoce e ao acompanhamento contínuo.

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