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Inácio Loiola afirmou que o Sertão de Alagoas reúne o tripé água, energia e estradas, e apresentou dados sobre hidrelétricas, energia solar, rodovias e o Canal do Sertão
Na noite de quarta-feira, no auditório da Academia da Polícia Militar, o deputado Inácio Loiola apresentou um panorama do Sertão de Alagoas como região de grande potencial produtivo e turístico.
Ele combinou memórias pessoais, história local e dados técnicos para defender que a região dispõe de recursos raros no Nordeste, mas segue subaproveitada.
O deputado falou de água, energia e estradas como pilares para o desenvolvimento regional, e apontou falhas na execução de projetos e na assistência técnica ao campo, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Infraestrutura energética e rodoviária
Loiola destacou que o Sertão de Alagoas concentra, segundo suas informações, sete hidrelétricas em menos de 10 mil km², incluindo Xingó, responsável por quase 40% da energia da Chesf, e que a região também possui grande potencial para energia solar e um estudo avançado para instalação de energia eólica na Serra do Parafuso, em Mata Grande.
No campo rodoviário, ele lembrou que o Sertão conta com duas grandes rotas, a BR-316 e a rodovia estadual que liga Maceió a Delmiro Gouveia, já duplicada até Olho d’Água das Flores, e afirmou que poucos estados do Nordeste têm essa estrutura viária.
Água e o Canal do Sertão
Sobre a água, o deputado fez um alerta enfático para a execução insuficiente de obras de irrigação.
Apesar do Canal do Sertão já possuir 33 anos de existência, apenas duas das doze bombas previstas foram instaladas, e uma delas encontra-se inoperante.
Sem um projeto agronômico estruturado, ele afirmou que, e cito, “o canal se transforma numa grande obra civil sem função social e econômica”, porque a água disponível não chega aos produtores e não existe assistência técnica contínua para orientar culturas e evitar salinização do solo.
Potencial produtivo e desafios sociais
Loiola listou números e setores com capacidade de expansão no Sertão de Alagoas, e destacou que é preciso planejamento técnico e políticas públicas para transformar potencial em produção.
Piranhas é o maior produtor de tilápia do Nordeste, com até 600 toneladas/mês;
a bacia leiteira de Batalha é a “mãe das bacias leiteiras do Nordeste”;
a região serrana de Mata Grande e Água Branca possui capacidade inédita para horticultura, fruticultura e floricultura;
a apicultura de Piranhas é uma das mais promissoras do país.
Além dos números técnicos, o parlamentar chamou atenção para o afastamento das novas gerações das atividades produtivas, devido à falta de assistência técnica, de políticas de incentivo e de projetos integrados de irrigação, e criticou a crescente dependência assistencialista que reduz a autonomia das famílias sertanejas.
História, turismo e um recado final
Para compor a narrativa de desenvolvimento, Loiola trouxe um pano de fundo histórico, lembrando desde a visita de Dom Pedro II, em 1859, até episódios do cangaço, como a morte de Lampião e Maria Bonita, planejada em Piranhas, e disse que esses elementos fortalecem o turismo e a autoestima regional.
O deputado sintetizou o diagnóstico em uma frase curta e direta, e cito, “Temos tudo. Falta usar”, pedindo mais planejamento regional, continuidade administrativa e aproximação entre universidades, institutos de pesquisa e municípios para transformar o Sertão de Alagoas em uma potência socioeconômica.