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quarta-feira, junho 3, 2026

Polícia Científica desvenda feminicídio no Trapiche da Barra, identifica DNA em unhas postiças e leva à prisão do ex-companheiro

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Atuação integrada da Polícia Científica, com Institutos de Criminalística e de Medicina Legal, comprovou feminicídio ao identificar perfil genético do suspeito em diversos vestígios da cena

A investigação começou como uma possível morte por suicídio, mas vestígios na cena chamaram a atenção, e a perícia seguiu por caminho diferente.

A partir da análise da cena, do exame de necropsia e dos testes de DNA, a Polícia Científica reuniu provas que apontaram para ação violenta e resistência da vítima.

O trabalho conjunto dos laboratórios de Microvestígios e de Genética Forense, e o laudo do médico-legista, foram decisivos para a conclusão do caso, conforme informação divulgada pelo Governo de Alagoas

Perícia na cena do crime e sinais de luta

Ao chegar ao apartamento no Trapiche da Barra, a perita criminal observou sinais que não condiziam com suicídio, e descreveu lesões compatíveis com ação de terceiros. Fragmentos de unhas da vítima foram achados sobre o piso da cozinha, e havia danos na porta de um dos quartos, indicando movimentação e resistência.

Sobre as lesões, a perita afirmou, “A vítima possuía escoriações e equimoses na região do pescoço, compatíveis com esganadura, além de uma camisa enrolada ao redor do pescoço, o que reforçava a suspeita de ação de terceiros. Também foram constatadas equimoses no abdômen e na coxa, sugerindo a ocorrência de luta corporal. Outros vestígios encontrados na cena corroboraram a possibilidade de homicídio, como fragmentos de unhas da vítima sobre o piso da cozinha e danos na porta de entrada de um dos quartos, indicando possível movimentação e resistência naquela área”, explicou a perita.

Exame de necropsia, sinais de defesa e amostras coletadas

O perito médico-legista concluiu que a causa da morte foi asfixia mecânica por esganadura, resultante de ação física direta. Durante a necropsia foram registradas unhas fraturadas e lesões compatíveis com tentativa de defesa.

O laudo médico destacou, “A presença de unhas fraturadas nas falanges distais de ambas as mãos é altamente sugestiva de luta e/ou tentativa de defesa, reforçando a hipótese de ação violenta e resistência por parte da vítima durante o evento asfíxico”, e foram coletadas amostras de sangue, humor vítreo e materiais biológicos das mãos e peças íntimas para análises toxicológicas e genéticas.

Análises de genética forense e ligação do suspeito ao crime

No Laboratório de Genética Forense, a perita comparou o material coletado com as amostras do suspeito, ex-companheiro da vítima, e obteve correspondências significativas. Foram periciados fragmentos de unhas postiças, regiões subungueais, a superfície da blusa encontrada sobre o pescoço e um copo de vidro presente na cena.

Conforme a perita responsável, “Foi identificado um perfil genético masculino coincidente com o do suspeito nos fragmentos de unhas postiças, nas regiões subungueais direita e esquerda da vítima, na superfície da blusa encontrada sobre o pescoço e no copo de vidro localizado na cena do crime. As análises estatísticas indicam um grau extremamente elevado de probabilidade de que o perfil genético pertença ao suspeito”. Essas evidências de DNA foram determinantes para relacionar o autor ao crime.

Desfecho da investigação e importância da ciência forense

Com os laudos técnicos da Polícia Científica, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Capital encerrou a investigação e classificou o caso como feminicídio. O autor, denunciado anteriormente pela vítima por violência doméstica, foi preso pela Polícia Civil.

O caso ilustra como a combinação de perícia de cena, medicina legal e genética forense, promovida pela Polícia Científica, permite transformar vestígios físicos em provas fundamentais, fortalecendo investigações de violência contra a mulher e contribuindo para responsabilizar os responsáveis.

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