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Unidade compacta em contêiner de 20 pés, movida a etanol hidratado, foi projetada para transporte aéreo, terrestre e marítimo, com foco em operação em áreas remotas
A Força Aérea Brasileira e a AERO Concepts apresentaram a UGEE1000BR, a primeira unidade brasileira de geração de energia equipada com uma turbina a etanol desenvolvida integralmente no País.
A máquina ocupa um contêiner de 20 pés, entrega 1 megawatt (MW) e pode ser levada rapidamente a locais sem eletricidade, com emprego em missões militares e atividades civis essenciais.
O projeto reúne mais de duas décadas de pesquisa conjunta entre AERO Concepts e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Finep, conforme informação divulgada pela Força Aérea Brasileira e pela AERO Concepts.
Desenvolvimento e nacionalização da tecnologia
Os estudos para turbinas aeronáuticas nacionais começaram em 2005, e, a partir de 2016, houve ampliação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para evoluir a plataforma TR5000 (ATJA45-30).
A adaptação para geração elétrica com etanol hidratado transformou o projeto original, concebido para aviação, em uma unidade compacta pronta para transporte e operação em diferentes modais.
Segundo Alexandre Roma, diretor do Grupo AERO Concepts, “a entrega da UGEE1000BR representa o início de um programa estratégico de Estado, capaz de preservar e expandir competências tecnológicas consideradas críticas para a soberania nacional.”
Como funciona e qual a capacidade de geração
A UGEE1000BR opera com o mesmo princípio de um motor aeronáutico: o ar é comprimido, misturado ao etanol em uma câmara de combustão, e os gases acionam a turbina, que movimenta um gerador elétrico.
O sistema entrega 1 megawatt (MW) de potência, suficiente para abastecer aproximadamente 3.600 residências, dependendo do perfil de consumo, e foi projetado para trabalhar em conjunto com usinas solares e sistemas de armazenamento por baterias.
Outro componente importante é a caixa de redução de rotações, também desenvolvida no Brasil, o que aumenta o índice de nacionalização do conjunto.
Mobilidade operacional, transporte e aplicações práticas
Uma vantagem prática é a possibilidade de aerotransporte pelo KC-390 Millennium da Embraer, permitindo deslocamento rápido da unidade para regiões sem infraestrutura elétrica.
O comandante da FAB, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, afirmou que “a combinação entre mobilidade, rapidez de instalação e elevada capacidade de geração torna a solução especialmente adequada para operações em áreas remotas da Amazônia e em missões expedicionárias.”
As aplicações incluem apoio a pelotões de fronteira, bases avançadas, hospitais de campanha, operações humanitárias, sistemas de comando e controle, radares móveis, centros logísticos e até substituição de geradores a diesel em comunidades isoladas.
Impacto estratégico, próximos passos e mercado
Durante a apresentação no Instituto de Aeronáutica e Espaço, em São José dos Campos, esteve presente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que declarou que “o Brasil passa a integrar o seleto grupo de países capazes de desenvolver turbinas dessa categoria, destacando ainda o uso do etanol como diferencial tecnológico em um país reconhecido mundialmente pela produção de biocombustíveis.”
Os desenvolvedores planejam avançar para um sistema de ciclo combinado e testar a integração da turbina a uma usina sucroenergética, além de avaliar aplicações para data centers, computação em nuvem e infraestrutura crítica.
Se houver produção em escala, a UGEE1000BR pode gerar oportunidades de exportação para a indústria brasileira de alta tecnologia e fortalecer a Base Industrial de Defesa, conciliando geração renovável com capacidade de emprego militar e civil.