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quarta-feira, junho 3, 2026

INCA alerta: Cigarros com sabor e aroma atraem jovens para o vício em nicotina

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INCA alerta: Cigarros com sabor e aroma atraem jovens para o vício em nicotina

O Brasil enfrenta um novo desafio na luta contra o tabagismo: a indústria da nicotina tem mirado adolescentes e jovens com produtos cada vez mais atrativos. O diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, destacou a urgência de combater essa estratégia, que utiliza sabores, aromas e dispositivos eletrônicos para fisgar novas gerações. Ele ressalta que um produto com potencial de matar metade de seus usuários não deveria existir.

A preocupação se estende ao Ministério da Saúde, que aponta o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos como portas de entrada para o tabaco. Os cigarros aromáticos e os chamados DEF (dispositivos eletrônicos para fumar), como vapes e pods, adicionam sabores doces, refrescantes, cheiros e cores, tornando a experiência de consumo mais palatável e, consequentemente, mais perigosa para os mais jovens.

A campanha deste ano, com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, foca nas táticas da indústria fumageira para atrair novos consumidores, especialmente crianças e adolescentes. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), milhões de adolescentes nas Américas já consomem tabaco ou cigarros eletrônicos, um cenário que pode custar ao Brasil bilhões de reais anualmente em doenças relacionadas ao tabagismo.

A transição para novas formas de nicotina

Vera Luiza da Costa e Silva, secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, explica que o mundo observa uma transição dos cigarros tradicionais para drogas com mais tecnologia. Isso inclui nicotina sintética, sais de nicotina e produtos cognitivos, que aumentam a atratividade para as futuras gerações se tornarem dependentes da nicotina.

Regulamentação e os desafios da indústria

Desde 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de aditivos que conferem sabor, aroma e outras características que aumentam a palatabilidade em produtos derivados do tabaco. O objetivo é reduzir o apelo desses produtos. No entanto, a indústria fumageira contesta judicialmente a norma, argumentando que a proibição inviabilizaria a produção nacional.

Um estudo recente publicado pela revista científica Tobacco Control, lançado pelo INCA, desmente esse argumento. Com base em dados da própria Anvisa, a pesquisa demonstra que cerca de metade das marcas de cigarros manufaturados registradas no Brasil em 2025 não utilizava os aditivos vetados. Isso sugere que a produção é viável sem esses componentes que favorecem a iniciação ao fumo.

Apelo ao STF para consolidar a proibição

Roberto Gil reforça a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir a produção desses aditivos. Tal medida consolidaria a validade nacional da norma e impediria novas contestações judiciais, fortalecendo o controle sobre produtos que atraem o público jovem. O tabagismo, cada vez mais, se torna uma doença pediátrica, exigindo atenção redobrada de pais e profissionais de saúde.

Riscos dos Dispositivos Eletrônicos e Prevenção

Suyanne Camille Caldeira Monteiro, coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, enfatiza que prevenir a iniciação é crucial. Ela alerta que “não há dispositivo eletrônico para fumar seguro”, especialmente para adolescentes e jovens adultos, fase marcada pela construção de identidade e experimentação. As redes sociais amplificam essa exposição.

O tabaco é um fator de risco comum para as principais Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. No Brasil, o INCA coordena o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), articulando políticas de prevenção, cessação e proteção contra a exposição à fumaça do tabaco.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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