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quarta-feira, junho 3, 2026

Animais Peçonhentos: Estudo revela R$ 53 milhões em internações e disparidades regionais no Brasil

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Animais Peçonhentos: Estudo revela R$ 53 milhões em internações e disparidades regionais no Brasil

Um estudo inovador, fruto da colaboração entre pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Academia de Ciências Veterinárias da Galícia, na Espanha, lançou luz sobre o impacto financeiro e de saúde pública dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil. A pesquisa, publicada na revista Discover Public Health, analisou mais de uma década de dados.

Os resultados são alarmantes: mais de 186 mil internações foram registradas em todo o país entre 2014 e 2023, gerando um custo acumulado de mais de R$ 53,6 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). Aproximadamente 18% desse valor foi destinado a tratamentos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), evidenciando a gravidade e o alto custo dos casos mais complexos.

A pesquisa aponta uma tendência de crescimento tanto no número de internações quanto nos gastos com saúde ao longo dos anos. Acidentes envolvendo serpentes foram os que mais impactaram economicamente o sistema, enquanto os escorpiões lideraram em quantidade de casos registrados, conforme informado pela pesquisa.

Desigualdades Regionais no Impacto dos Acidentes

Um dos achados mais significativos do estudo é a acentuada desigualdade regional no tratamento e nos custos associados aos acidentes com animais peçonhentos. Estados da região Norte, apesar de apresentarem o maior volume de internações, registram custos médios por paciente inferiores, o que pode indicar limitações no acesso a serviços de saúde mais complexos.

Em contrapartida, a região Sudeste concentra os maiores gastos, especialmente em decorrência de atendimentos de alta complexidade em UTIs. Essa disparidade reforça a necessidade urgente de políticas públicas que garantam o acesso rápido e equitativo ao tratamento soroterápico em todo o território nacional.

“O estudo evidencia que as desigualdades regionais influenciam diretamente o desfecho desses acidentes, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas para o acesso rápido ao tratamento soroterápico”, destacam os autores da pesquisa.

Cenário em Alagoas e Custos Locais

No estado de Alagoas, o período analisado contabilizou 777 internações, com um custo total de cerca de R$ 207 mil para o SUS. Desse montante, mais de R$ 37 mil foram direcionados a atendimentos em UTI, representando 18,1% do custo total de internações por acidentes com animais peçonhentos no estado.

Foram registradas 2.888 diárias hospitalares, com uma média de permanência de 3,7 dias por paciente. “Embora a maioria dos casos apresente evolução relativamente rápida, há episódios que demandam maior complexidade assistencial”, contextualiza o pesquisador Flávio Silva Jr.

Maceió liderou os custos no estado, com R$ 167 mil, devido ao seu papel como centro de referência para casos graves. Outros municípios como Arapiraca e Coruripe também se destacaram, com este último apresentando um número expressivo de casos envolvendo escorpiões.

Fortalecimento da Vigilância e Acesso ao Tratamento

A professora Lívia Freitas ressalta a importância de ações integradas para mitigar o impacto desses acidentes. “Esse panorama reforça a importância do fortalecimento das ações de vigilância, da descentralização do acesso ao tratamento e da educação em saúde, especialmente em regiões onde o tempo de resposta pode ser determinante para o desfecho clínico”, alerta.

O estudo completo, com análises detalhadas e dados geográficos sobre os custos de hospitalização e de UTI por acidentes com animais peçonhentos no Brasil, está disponível para consulta. As informações destacam a necessidade contínua de investimento em saúde pública e vigilância epidemiológica.

Matéria produzida pela redação jornalística especializada do portal, com base em fontes verificadas e dados oficiais.

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