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quarta-feira, junho 3, 2026

Atendimento Integrado na Rede Estadual de Saúde Salva Criança Vítima de Picada de Cobra em Alagoas

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Atendimento integrado na rede estadual de Saúde salva criança vítima de picada de cobra em Alagoas

O que parecia ser uma tarde tranquila de brincadeiras em um sítio no município de Água Branca, no Sertão de Alagoas, quase se transformou em um drama para a pequena Lis Cavalcante Brandão Arcanjo, de apenas 11 anos. No entanto, a ação rápida da família e a eficiência da rede hospitalar da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) garantiram um final feliz para a história, demonstrando a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e seu trabalho integrado.

Lis estava se divertindo com seus primos quando foi surpreendida por uma picada de cobra. Inicialmente, o ferimento parecia inofensivo, apenas um pequeno ponto na pele, levando os pais a acreditarem que se tratava de uma picada de inseto. Contudo, os sintomas logo se manifestaram.

“Limpamos o local com álcool e pedimos para ela nos dizer se sentisse algo diferente. Ela voltou a brincar com a bola. No entanto, poucos minutos depois, os sintomas começaram a surgir. Lis relatou tontura, seguida de visão dupla. Foi então que eu tive a ideia de observar os olhos dela e percebi que a pupila do olho direito estava extremamente dilatada”, relembrou Iris Emanuela Cavalcante Lima Brandão Arcanjo, mãe da criança. Essa observação atenta foi crucial para o diagnóstico.

A família tomou a decisão de levar Lis imediatamente à Unidade Mista Dra. Quitéria Bezerra de Melo, em Água Branca, unidade vinculada à Sesau. A equipe médica identificou duas picadas na menina, levantando a suspeita de picada de cobra. A agilidade no atendimento foi essencial, e a criança foi rapidamente transferida para o Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia, também gerenciado pela Sesau.

Diagnóstico e Transferência para o HGE

No HRAS, Lis já apresentava sinais neurológicos preocupantes, como o chamado “olhar baixo” e náuseas. Ela foi prontamente acomodada na Área Vermelha da unidade. O pediatra que atendeu a menina reconheceu a gravidade do caso e iniciou o protocolo de atendimento para envenenamento por serpente, assegurando a administração do soro antiofídico, o antídoto indispensável nesses casos.

“Eles nos falaram que o quadro de saúde dela era de moderado a grave, então teriam que transferi-la para o HGE, em Maceió, para evitar o risco de complicações, como insuficiência renal e sangramentos. Deixaram-me viajar com ela na ambulância e quando cheguei no HGE fomos bem acolhidas pelos profissionais”, relatou Iris, que é dona de casa e mãe de mais um filho.

Recuperação e Alta Hospitalar

A criança foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica por três dias. Após a estabilização de seu quadro, Lis foi encaminhada para a Enfermaria, onde permaneceu por mais três dias em recuperação. Durante todo o período, ela recebeu cuidados multidisciplinares essenciais para sua melhora.

O Hospital Geral do Estado (HGE) é a única unidade do SUS preparada para realizar hemodiálise em crianças, sendo, portanto, o local mais adequado para o tratamento. No entanto, a evolução positiva de Lis foi tão notável que ela não precisou desse procedimento. Com o passar dos dias, os exames de Lis apresentaram melhora significativa, assim como sua visão, culminando em sua alta hospitalar com recomendações para garantir o fortalecimento de sua saúde.

Orientações Médicas e Prevenção

A Dra. Ana Carolina Ruela, pediatra do HGE, explicou que o veneno de serpente venenosa é altamente tóxico e afeta principalmente os sistemas nervoso e muscular. Os sintomas podem incluir visão turva ou dupla, queda das pálpebras, fraqueza muscular, alterações na coagulação sanguínea e risco de insuficiência renal. “Sem tratamento rápido, os efeitos podem evoluir para complicações graves e até levar à morte”, alertou a médica.

A especialista enfatiza a importância da busca imediata por atendimento médico para afastar o risco de complicações. Em caso de picada, a recomendação é manter a vítima calma e imobilizar o membro afetado. “Lave o local apenas com água e sabão, não faça torniquetes, cortes ou sucção do veneno, tampouco aplique substâncias caseiras. O soro antiofídico é o único tratamento eficaz e deve ser administrado em ambiente hospitalar”, pontuou Ruela.

Para a prevenção, a médica sugere o uso de botas e roupas compridas ao frequentar áreas rurais. É fundamental evitar colocar as mãos em buracos, troncos ou pedras, manter os terrenos limpos e redobrar a atenção ao caminhar em locais com vegetação densa. Para as crianças, a supervisão constante dos pais é indispensável.

Gratidão e Recuperação

“Eu quero agradecer aos hospitais que me atenderam, em especial o HGE, por terem me dado um suporte maravilhoso. Pelas enfermeiras, pelos médicos que cuidaram de mim. Agora quando eu for brincar lá no mato, eu vou me calçar melhor para não acontecer nenhum risco e redobrar a minha atenção agora”, afirmou a pequena Lis Arcanjo, demonstrando aprendizado com a experiência.

Atualmente, Lis está em casa, recuperada e cercada pelo carinho de sua família. Sua história é um testemunho do comprometimento da Sesau com a vida de cada cidadão alagoano. “O HGE acolhe, cuida e salva. E isso podemos ver em várias histórias de superação que a nossa equipe assiste diariamente”, declarou o diretor geral Fernando Fortes Melro, reforçando o papel vital da unidade de saúde.

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