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quarta-feira, junho 3, 2026

Maceió revoluciona Educação Infantil: Mediação de leitura na primeira infância transforma o aprendizado em experiências sensíveis e significativas

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Ações de mediação de leitura na Educação Infantil ganham destaque em Maceió, promovendo a conexão com livros desde os primeiros anos de vida.

A leitura na primeira infância é um universo que se desdobra para além das palavras escritas. Ela se revela nos olhares curiosos das crianças, ávidas por desbravar o mundo, e na maneira única com que cada uma se aproxima de um livro. Em Maceió, essa profunda compreensão norteia as práticas pedagógicas desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), através do Setor de Rede de Bibliotecas.

Nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), a mediação de leitura tem o objetivo de construir, desde os primeiros anos de vida, uma relação **sensível e significativa entre crianças e livros**. A proposta vai além do simples ato de ensinar, focando na criação de experiências que celebram o tempo, a autonomia e as formas singulares de expressão de cada pequeno leitor.

Uma dessas experiências enriquecedoras foi apresentada no 4º Simpósio Internacional da Literatura de Berço, um evento que reúne pesquisadores e educadores para debater as práticas de leitura com bebês e crianças bem pequenas. A conferência aconteceu em março, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), com apresentações presenciais e transmissão online, conforme divulgado pela Secretaria Municipal de Educação.

Experiência de Maceió apresentada em congresso nacional

O trabalho apresentado pela Semed, intitulado “Entre livros e gestos: interações e vínculos no primeiro encontro de mediação de leitura com crianças bem pequenas em um CMEI de Maceió”, detalha uma intervenção realizada com sete crianças no CMEI Professora Maria De Fátima Melo Dos Santos, localizado no bairro do Tabuleiro do Martins. Esta iniciativa demonstra o compromisso da rede municipal em inovar e compartilhar suas práticas pedagógicas.

Metodologia lúdica e interativa estimula a curiosidade infantil

A atividade foi cuidadosamente planejada com elementos simples e próximos ao universo infantil. O encontro iniciou-se com uma cantiga familiar, seguida pela exploração de um objeto surpresa e um fantoche, artifícios que despertaram intensamente a curiosidade das crianças. Em seguida, foi apresentado o livro “O Sapo Bocarrão”, de Keith Faulkner, uma escolha acertada por suas características **interativas e sensoriais**, que convidam ao toque e à descoberta.

Durante a mediação, as reações das crianças foram diversas: algumas se mantiveram próximas ao mediador, outras exploraram o ambiente, e algumas se voltaram para outros livros. Longe de ser um obstáculo, esse movimento foi compreendido como parte **essencial da experiência de aprendizado**. Essa diversidade de engajamento é vista como um indicativo da riqueza da interação.

Educadores repensam o papel na mediação de leitura

A coordenadora da Rede de Bibliotecas da Semed, Simone de Souza, ressalta a importância de uma **mudança de olhar por parte dos educadores**. “Quando a gente enxerga o bebê e a criança bem pequena como um sujeito potente, nós, enquanto mediadores, não temos como manter o controle”, explica Simone. Ela complementa que o controle, comum em abordagens educacionais mais tradicionais, pressupõe um ritmo único para todos.

Segundo Simone, a mediação de leitura evolui de um papel de condução para um de **acompanhamento**. “Tinha criança que saía do tapete, outras que voltavam, outras que iam olhar outros livros, e está tudo bem. Cada uma se conecta de um jeito”, afirma. Essa flexibilidade é crucial para um ambiente de aprendizado respeitoso.

Nesse processo, o papel do mediador se concentra na **escuta ativa e na presença atenta**. O olhar, a disponibilidade e a conexão genuína com a criança criam um espaço onde a leitura transcende uma atividade dirigida e se torna uma **experiência compartilhada**. “Esse lugar de encontro entre mediador, livro e criança é o lugar do inédito. É algo que acontece ali, naquele momento, porque estamos lidando com uma experiência literária única”, destaca Simone.

As interações foram cuidadosamente acompanhadas por meio de observação, registros em diário de campo e documentação pedagógica, buscando compreender os modos de participação das crianças e os sentidos que elas construíam nesse primeiro contato com o universo literário. Essa documentação é fundamental para a avaliação e o aprimoramento contínuo das práticas.

Literatura de Berço: um campo em expansão

A experiência de Maceió dialoga diretamente com o campo de estudos em expansão da **Literatura de Berço**. Essa área investiga o contato inicial das crianças com a linguagem e a cultura escrita, propondo uma mudança de perspectiva fundamental: reconhecer que a leitura se inicia muito antes da decodificação de palavras. Desde cedo, as crianças são capazes de construir sentidos, vínculos e experiências únicas com os livros.

Em Maceió, esse entendimento tem sido incorporado de forma robusta às políticas educacionais. Em 2025, o município consolidou uma **política pública de formação leitora** nas creches e escolas da rede municipal de ensino. Essa iniciativa fortalece ações que incentivam o contato com a literatura desde os primeiros anos de vida, ampliando significativamente o papel da leitura na Educação Infantil e promovendo um desenvolvimento mais integral para as crianças.

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