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quarta-feira, junho 3, 2026

Vacina da Herpes-Zóster: Estudo da USP Confirma Segurança e Eficácia em Pacientes Reumáticos

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Vacina contra herpes-zóster é segura para pacientes com doenças reumáticas autoimunes, revela estudo da USP

Uma pesquisa pioneira conduzida pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) trouxe resultados animadores para pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como artrite reumatoide e lúpus. O estudo demonstrou que a vacina contra a herpes-zóster é segura para este grupo, não elevando o risco de piora das condições pré-existentes.

A investigação acompanhou 1.192 pacientes com nove diagnósticos distintos de doenças reumáticas. Os resultados indicam que aproximadamente 90% dos participantes desenvolveram anticorpos adequados após receberem as duas doses da vacina, sinalizando uma resposta imune robusta e protetora.

A pesquisa, publicada na renomada revista científica The Lancet Rheumatology, é considerada a maior do mundo a avaliar sistematicamente a segurança e a capacidade imunogênica da vacina em pacientes com o sistema imunológico já fragilizado. Conforme informações divulgadas pela FMUSP, os achados oferecem tranquilidade para a adoção da vacina neste público.

Segurança comprovada mesmo com doença ativa

Um ponto crucial destacado pela pesquisa é que, mesmo em pacientes com a doença reumática em atividade, a vacina se mostrou segura. Cerca de 30% dos participantes estavam com a condição ativa durante o estudo e, após a vacinação, não apresentaram piora. Esse dado reforça a alta segurança da vacina para esta população vulnerável.

A taxa de piora observada nos pacientes vacinados foi de 14%, um índice muito similar aos 15% registrados no grupo que recebeu apenas placebo. Essa equivalência sugere que a vacina não interfere negativamente no curso natural das doenças reumáticas autoimunes.

Além disso, os pacientes vacinados relataram **menos eventos adversos**, como dor no local da aplicação e febre, em comparação com um grupo de controle formado por pessoas saudáveis. Isso sugere uma boa tolerabilidade da vacina.

Respostas imunes e particularidades em tratamentos específicos

A pesquisa abrangeu um leque variado de doenças reumáticas, incluindo artrite reumatoide, uma condição que afeta cerca de 1% da população adulta, e lúpus, além de outras patologias menos comuns como esclerodermia e espondilartrite. Essa diversidade de casos enriquece a robustez dos resultados.

No entanto, a pesquisa identificou que pacientes em uso de medicamentos específicos, como **rituximabe e micofenolato de mofetila**, apresentaram uma resposta imune menor à vacina. Para esses indivíduos, a recomendação é de uma análise separada, podendo ser considerada uma dose adicional ou um reforço vacinal.

Herpes-zóster: Um risco a ser evitado

A herpes-zóster, conhecida popularmente como cobreiro, é causada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ), o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado na vida adulta, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido, como é o caso dos pacientes com doenças reumáticas.

Os sintomas da herpes-zóster incluem dor intensa, formigamento, ardor e sensibilidade exagerada ao toque. Podem surgir também febre baixa, dor de cabeça e mal-estar. Na fase ativa, aparecem manchas vermelhas que evoluem para bolhas agrupadas, seguidas de crostas que levam semanas para cicatrizar.

A complicação mais preocupante da herpes-zóster em pacientes reumáticos é a possibilidade de **internação e até mesmo risco de morte**, devido à fragilidade do sistema imunológico. A vacina, portanto, se apresenta como uma ferramenta crucial para prevenir quadros graves e reduzir a carga sobre o sistema de saúde.

A vacina recombinante contra herpes-zóster já está disponível no mercado e é recomendada para pessoas acima de 50 anos, faixa etária com maior risco para o desenvolvimento da doença. A especialista Eloisa Bonfá, titular de Reumatologia da FMUSP e responsável pela pesquisa, ressalta que a prevenção de infecções em pacientes com doenças reumáticas tem um **custo muito alto**, sendo a vacinação uma estratégia eficaz e de grande benefício.

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