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quarta-feira, junho 3, 2026

Febre do Oropouche: Novo Estudo Revela Sintomas Cruciais para Diferenciar da Dengue e Alerta Para Linhagem Mais Virulenta em Manaus

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Febre do Oropouche x Dengue: Entenda as Diferenças e Sintomas Revelados por Estudo Brasileiro

A febre do Oropouche e a dengue, ambas transmitidas por mosquitos, compartilham muitos sintomas, dificultando o diagnóstico diferencial, especialmente em áreas onde coexistem. Um estudo recente desenvolvido por pesquisadores brasileiros durante um surto em Manaus, em 2024, lança luz sobre essas distinções, buscando aprimorar a identificação e o manejo dessas arboviroses.

A pesquisa, publicada na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, acompanhou pacientes com doença febril aguda e analisou perfis clínicos e laboratoriais. O objetivo foi oferecer ferramentas para que profissionais de saúde e a população possam reconhecer melhor cada doença, embora a médica pesquisadora Maria Paula Mourão, da Rede Colaborativa de Vigilância Ampliada e Oportuna (Revisa), ressalte que a diferenciação apenas pelos sintomas é desafiadora.

“Mais importante do que saber o nome da doença é reconhecer rapidamente os sinais de gravidade, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, confusão mental ou piora progressiva do estado geral e buscar o serviço de saúde mais próximo”, alerta Maria Paula. Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, o estudo acompanhou pacientes por até 28 dias, realizando avaliações clínicas, exames laboratoriais e testes específicos para diferentes arboviroses.

Diferenças Sutis nos Sintomas da Febre do Oropouche

A febre do Oropouche, causada por um vírus transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis (maruim), pode apresentar algumas características que a distinguem da dengue. De acordo com a pesquisa, a dor de cabeça tende a ser **mais intensa** na febre do Oropouche. Além disso, as **dores articulares são mais frequentes**, e as **manchas na pele, quando presentes, costumam ser mais disseminadas**.

Alterações laboratoriais também foram observadas, como um **aumento discreto de enzimas do fígado** e diferenças na resposta do sistema imunológico, conforme apontado pela pesquisa. Em contrapartida, a dengue frequentemente se manifesta com **diminuição das plaquetas**, aumentando o risco de sangramentos e choque, quadros que são menos proeminentes na febre do Oropouche.

Linhagem de Maior Virulência Identificada em Manaus

O estudo também revelou que o surto de febre do Oropouche em Manaus em 2024 foi provocado por uma linhagem reordenada do vírus, já detectada anteriormente, mas que demonstrou **características de maior virulência e replicação**. Essa particularidade pode explicar a intensidade e o alcance do surto na região. Os pesquisadores identificaram que o vírus circulante em Manaus passou por modificações genéticas, sugerindo uma transmissão local contínua.

Bárbara Chaves, pesquisadora do Instituto Todos pela Saúde (ItpS), explica que, embora a dengue seja mais conhecida no Brasil devido à proliferação do mosquito Aedes aegypti em ambientes urbanos, a febre do Oropouche tem ganhado notoriedade, especialmente a partir de 2024, com sua notificação em diversos estados. Essa dispersão pode estar ligada a fatores como mudanças no uso da terra e desmatamento.

A Importância do Diagnóstico e do Cuidado Precoce

Apesar das distinções apontadas pelo estudo, a médica Maria Paula Mourão enfatiza que **diferenciar as duas doenças apenas pelos sintomas é muito difícil**, tanto para a população quanto para os profissionais de saúde. Por isso, a prioridade deve ser o manejo dos sintomas e a identificação de sinais de gravidade.

Grupos de risco como gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas necessitam de atenção redobrada. Nesses casos, a recomendação é **procurar avaliação médica precoce**, mesmo que os sintomas pareçam leves inicialmente, para evitar o agravamento do quadro.

Para combater a disseminação de ambas as doenças, é fundamental melhorar o diagnóstico e o monitoramento. Enquanto o combate à dengue foca na eliminação de criadouros do Aedes aegypti e em estratégias como o método Wolbachia e vacinas, o controle da febre do Oropouche é mais complexo, pois seu vetor se reproduz em ambientes naturais úmidos. A pesquisa reforça a necessidade de monitorar a evolução dos vírus e aprimorar o diagnóstico diferencial, especialmente em regiões onde as duas arboviroses circulam juntas.

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