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quarta-feira, junho 3, 2026

Carnaval Inclusivo no Rio: Blocos da Saúde Mental Quebram Preconceitos e Promovem Cidadania Foliã

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Carnaval do Rio se torna palco de inclusão e combate ao preconceito com blocos da saúde mental.

A maior festa popular do Brasil, o carnaval do Rio de Janeiro, vai muito além da alegria contagiante, da beleza dos desfiles e da explosão de criatividade. Este ano, a cidade celebra a diversidade e a inclusão através dos blocos de saúde mental, que ocupam diferentes regiões e reúnem usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais e a comunidade local.

Essas iniciativas transformam o carnaval em um espaço de conscientização e luta contra estigmas e preconceitos enraizados na sociedade. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio) destaca a importância desses blocos como ferramentas de expressão, pertencimento e cidadania, fundamentais para uma política de cuidado em liberdade.

Segundo Hugo Fernandes, superintendente de Saúde Mental da SMS-Rio, a participação de pessoas em sofrimento psíquico na maior festa popular do país reafirma o direito à cultura e à alegria. Os blocos também funcionam como centros de convivência e cuidado ao longo do ano, promovendo oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão, estimulando a expressão artística e ampliando o diálogo social sobre inclusão e respeito às diferenças.

Zona Mental: A Voz da Zona Oeste no Coração do Carnaval

O bloco Zona Mental, o mais novo entre os blocos da saúde mental, nasceu em 2015 na Zona Oeste do Rio de Janeiro, idealizado por usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial. Seu objetivo é promover a reintegração social através da música, da arte e do carnaval. Após seu primeiro desfile em 2017, o Zona Mental se consolidou como um importante representante da Zona Oeste, uma região periférica afastada do centro da cidade.

O desfile de 2026 está marcado para o dia 6 de fevereiro, com concentração na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. Débora Rezende, musicoterapeuta e copresidente do bloco, ressalta que a intenção é “abrir o carnaval da saúde mental” e promover a união de todos. O bloco reúne cerca de 14 a 15 serviços de saúde da região e conta com a participação de artistas de escolas de samba como Unidos de Bangu e Mocidade Independente de Padre Miguel.

Neste carnaval, o Zona Mental homenageará os nordestinos que vivem na Zona Oeste, com um samba vencedor de autoria de Marco Antonio Amaral, usuário do CAPs Neusa Santos. A música celebra o multi-instrumentista Hermeto Pascoal, alagoano que residiu em Bangu e faleceu no ano passado aos 89 anos.

Tá Pirando, Pirado, Pirou!: 21 Anos de Luta Antimanicomial no Pré-Carnaval

O bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! comemora seus 21 anos em 2026, celebrando também os 25 anos da Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Antimanicomial ou Lei da Reforma Psiquiátrica no Brasil. O desfile está agendado para 8 de fevereiro, com concentração na Avenida Pasteur, na Urca. O bloco homenageia o psiquiatra italiano Franco Basaglia, figura crucial na reforma psiquiátrica brasileira.

Alexandre Ribeiro, psicanalista e fundador do bloco, destaca a importância de Basaglia, que denunciou os horrores dos manicômios brasileiros, comparando o Hospital-Colônia de Barbacena a um “campo de concentração nazista”. A influência do movimento da psiquiatria democrática italiana foi fundamental para a criação do Manifesto de Bauru em 1987 e a instituição do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, com o lema “Por uma sociedade sem manicômios”.

A mobilização popular resultou na Lei 10.216, em 2001. O desfile do Tá Pirando, Pirado, Pirou! contará com a bateria da Portela e a participação dos blocos convidados Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor, reforçando a mensagem de luta e celebração.

Império Colonial: Homenagem a Arthur Bispo do Rosário e Amadurecimento do Bloco

O bloco Império Colonial, fundado em 2009, dedica seu enredo deste ano a Arthur Bispo do Rosário, artista plástico diagnosticado com esquizofrenia, que teve uma trajetória marcada pela arte, pelo esporte e por longa internação na Colônia Juliano Moreira. O bloco, que tem como sede o Centro de Convivência Pedra Branca (Cecco Pedra Branca), apresenta pela primeira vez alas próprias, demonstrando o amadurecimento da agremiação.

O enredo é de autoria de Alex de Repix, usuário do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Jovelina Pérola Negra. O desfile está previsto para 10 de fevereiro, com concentração na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá. Apesar de ser um bloco pequeno, com cerca de 20 integrantes, o Império Colonial busca expandir seu alcance e, após um baile no ano anterior, espera dobrar o público em seu desfile de rua, reunindo moradores locais, usuários e profissionais de saúde.

Loucura Suburbana: 26 Anos Revitalizando o Carnaval do Engenho de Dentro

Com 26 anos de história, o bloco Loucura Suburbana é o mais antigo do grupo e desfila pelas ruas do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, desde 2001. Para 2026, o samba que embalará o desfile é “Para o povo poder cantar”, e a expectativa é superar os 3 mil espectadores do ano anterior. O tema deste ano, “Baluartes, Território e Loucura”, reflete a trajetória e a importância do bloco para a comunidade.

A coordenadora-geral, Ariadne Mendes, explica que o tema busca honrar os baluartes do bloco, celebrar as raízes e o trabalho na comunidade (Território) e reforçar a importância do Loucura Suburbana como um espaço de alegria, encontro e celebração da vida (Loucura). O bloco oferece ainda um serviço inédito: um barracão aberto para que foliões possam reservar, usar e devolver fantasias, além de maquiagem carnavalesca gratuita no dia do desfile, facilitando a participação de todos.

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