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Fome Emocional: Quando Comer Vira Refúgio e Sinal de Alerta para a Ansiedade
A maneira como lidamos com as emoções pode afetar diretamente nossa saúde física e mental. A fome emocional, diferente da fome física, surge como um impulso para comer, muitas vezes desencadeado por situações de estresse e ansiedade. A nutricionista Janine Mendonça, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), alerta para os sinais que podem indicar descontrole alimentar e a necessidade de atenção.
No início do ano, com expectativas, cobranças e mudanças de rotina, o estresse emocional pode aumentar. Metas irreais, comparações, pressão estética e dietas restritivas são gatilhos comuns. A comida, então, torna-se uma fuga rápida, criando um ciclo vicioso de compulsão e frustração, conforme explica a especialista.
Sentimentos como ansiedade, estresse crônico, tristeza, solidão e cansaço físico e mental são apontados pela nutricionista como os mais frequentes impulsionadores do descontrole alimentar. Noites mal dormidas e dietas excessivamente restritivas também elevam significativamente o risco de episódios de descontrole.
Comida como Alívio: Um Ciclo Prejudicial
É fundamental entender que associar a comida como alívio para problemas emocionais ou como recompensa não é saudável. A fome emocional é impulsiva e ignora os sinais de saciedade do corpo. Embora a alimentação envolva afeto, prazer e cultura, o problema surge quando ela se torna a principal estratégia para lidar com emoções difíceis, substituindo formas mais saudáveis de cuidado emocional.
Transtornos Alimentares Além do Peso
Janine Mendonça destaca que transtornos alimentares podem se manifestar mesmo sem a obsessão por emagrecer. A relação com a comida está intrinsecamente ligada à saúde emocional, e pode se apresentar através de compulsão alimentar, culpa excessiva, comer em segredo ou uma relação conflituosa com os alimentos. Cuidar da mente é, portanto, essencial para cuidar do corpo.
Estratégias para Reduzir a Fome Emocional
Para combater a fome emocional, a nutricionista recomenda manter refeições regulares, evitando restrições severas e longos períodos de jejum. É crucial desenvolver a **consciência emocional**, buscando outras formas de lidar com os sentimentos. Atividades como desfrutar de um ambiente agradável, ouvir música, buscar companhia, praticar atividade física, técnicas de respiração, descanso adequado e diálogo são alternativas eficazes.
Quando Buscar Ajuda Profissional
Em casos onde a fome emocional evolui para um transtorno alimentar, a busca por ajuda multiprofissional é o caminho recomendado. O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Lá, é possível obter acompanhamento com médico, nutricionista e psicólogo, além de orientações iniciais e encaminhamentos, se necessário. Para situações de maior sofrimento emocional ou transtornos mentais, a UBS pode encaminhar para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem atendimento especializado e contínuo, conforme orientação da Sesau.