| Não fique refém dos algoritmos, nos siga no Telegram e fique atualizado com as últimas notícias. |
Projetos de sustentabilidade e tecnologia representam Alagoas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), com bioplástico do bagaço e robótica inspirada em Nise da Silveira
Duas escolas da rede estadual de Alagoas garantiram vaga na maior feira de iniciação científica do país, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que acontece na Universidade de São Paulo.
Os trabalhos finalistas unem educação, ciência e aplicação prática, com foco em sustentabilidade e saúde, e foram desenvolvidos no ambiente escolar por estudantes orientados por professores da rede estadual.
As informações sobre as seleções foram divulgadas pela imprensa do governo estadual, conforme informação divulgada pela Imprensa do Governo de Alagoas.
Tecnologia aliada à saúde e robótica humanizada
A Escola Estadual Fernandina Malta, de Rio Largo, levou à Febrace um projeto criado na disciplina eletiva de Robótica, inspirado na trajetória da psiquiatra Nise da Silveira, e que conquistou medalha de ouro na modalidade Robótica durante o Encontro Estudantil da Rede Estadual de Alagoas.
O professor orientador, Cássio Fagundes, descreve a proposta com as palavras, “Resolvemos desenvolver um protótipo baseado na forma humanista que ela defendia para lidar com problemas mentais”, buscando uma tecnologia que respeite abordagens terapêuticas.
O aluno Anderthon Cristian da Silva Moura explica a aplicação prática, “O nosso projeto ajuda pessoas com problemas cognitivos, físicos ou mentais. Ele funciona por meio da movimentação das mãos e também por comando de voz, com jogos cognitivos”, e ressalta a dimensão da experiência, “Nunca tive uma oportunidade como essa. Saber que algo de uma escola pequena está tomando uma proporção tão grande é muito gratificante. A sensação é de dever cumprido”.
Resíduo transformado em bioplástico sustentável, Canaplast
A Escola Estadual Professora Benedita de Castro Lima, de Maceió, concorre com o projeto Canaplast, que reaproveita o bagaço da cana-de-açúcar para produzir um plástico biodegradável e termorresistente, desenvolvido a partir de pesquisa escolar.
O professor Felipe Rodrigues descreve a matéria-prima e o resultado, “A gente utiliza um resíduo, que é o bagaço da cana-de-açúcar, que normalmente vai para o lixo, e transforma isso em um plástico biodegradável e termorresistente”. O aluno Rodrigo Medeiros Silva detalha o processo, “Nós extraímos a celulose do bagaço da cana para compor o bioplástico. Ele tem uma degradabilidade extremamente elevada e pode substituir plásticos convencionais derivados do petróleo”.
Segundo a equipe, o material apresenta resistência a altas temperaturas e baixa dissolução em água, e sua degradabilidade pode ser muito superior à dos plásticos convencionais, reduzindo impactos ambientais. O projeto também conta com apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr), com bolsas financiadas pela Fapeal.
Seleção nacional e representatividade de Alagoas
Na edição nacional da Febrace deste ano, “Ao todo, 255 projetos de todo o Brasil foram selecionados entre mais de três mil trabalhos inscritos“, conforme a divulgação oficial. Alagoas soma cinco projetos finalistas, entre escolas e institutos.
Além das duas escolas estaduais, tiveram trabalhos selecionados o Instituto Federal de Alagoas, campi Maceió e Murici, e a Escola Sesi de Educação Básica Industrial Abelardo Lopes, de Maceió, conhecida como Sesi Centro, compondo a delegação do estado.
Impacto educacional e oportunidades
A participação na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) amplia o intercâmbio entre escolas de diferentes regiões, valoriza a pesquisa na Educação Básica e cria oportunidades para estudantes apresentarem soluções com potencial de aplicação real.
Para alunos e professores envolvidos, a classificação representa reconhecimento do trabalho escolar e a possibilidade de divulgar metodologias que aliem ensino, inovação e compromisso social, reforçando o papel da escola como ambiente produtor de conhecimento.